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Apresentação/Introdução O rendimento de médicos é relevante pelo papel e o volume de recursos que representam no sistema de saúde. O rendimento médio mensal foi de R$ 36,8 mil em 2022. Esse valor vem recuando gradualmente e varia segundo gênero, idade, local, atividade, especialização, tempo de formado, inserção pública ou privada, número de vínculos e número de horas semanais trabalhadas. Objetivos Revelar tendências no rendimento de médicos no Brasil, a partir de dados de declarações do IRPF, no período entre 2012 e 2022, para subsidiar estudos subsequentes sobre os fatores determinantes do nível de rendimento desta categoria profissional. Metodologia O estudo tem como base dados da Receita Federal, entre 2012 e 2022, processados no âmbito do estudo Demografia Médica. Os dados de rendimentos têm como fonte as declarações de todos os contribuintes cuja resposta foi “médico/médica” no campo “ocupação principal” do questionário da declaração anual. O rendimento analisado no estudo equivale à soma de todas as fontes. Foi calculada a média mensal a partir da divisão do rendimento total declarado por todos os declarantes médicos, dividido pelo total de declarantes e pelos 12 meses do ano. Todos os valores estão apresentados em reais (R$), referentes a dezembro de 2022 e deflacionados segundo o IPCA. Resultados O rendimento mensal foi de R$ 36.818 em 2022, seguindo queda gradual ao longo de toda a série. A renda das mulheres equivale a 63,7% do rendimento declarado por homens. Médicos seguem entre os maiores rendimentos no país, atrás apenas de carreiras públicas bastante específicas, notadamente no Poder Judiciário. Os maiores rendimentos estão em Roraima, Distrito Federal e Amapá, evidenciando a influência de múltiplos fatores, como escassez de profissionais e a renda per capita. Os menores são observados no Maranhão, na Bahia e na Paraíba. Triplicou a diferença entre inscritos nos CRMs e declarantes do IRPF, evidenciando que a categoria está cada vez mais jovem devido ao influxo de recém-formados. Conclusões/Considerações Os resultados corroboram estudos sobre diferenciais de rendimento por gênero, especialidade, setor de atuação, carga horária e número de vínculos. Muitos países discutem os efeitos na qualidade e no desempenho dos serviços de saúde. Se esperamos mais de 1 milhão de profissionais no Brasil em 2035, o estudo da renda médica — praticada ou pretendida — será fundamental para o debate sobre o financiamento da saúde e a sustentabilidade do SUS.
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