PRECEPTORIA E TUTORIA EM PROGRAMAS DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE NO BRASIL: UMA DISCUSSÃO SOBRE MOVIMENTOS DE INSTITUCIONALIZAÇÃO.

Vol 3, 2025 - 224074
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Resumo

Apresentação/Introdução Este relato é o recorte de uma pesquisa de mestrado e versa sobre o exercício da preceptoria e da tutoria em Residências Multiprofissionais em Saúde (RMS). Ambas se configuram como práticas docente-assistenciais e integram a estrutura formativa dos programas de RMS, modalidade de formação em serviço e para o Sistema Único de Saúde, definida como pós-graduação lato sensu (Brasil, 2005). Objetivos Analisar as controvérsias atreladas a institucionalização das funções de tutoria e preceptoria nos programas de Residência Multiprofissional em Saúde no Brasil. Metodologia Pesquisa qualitativa, com o referencial teórico-metodológico das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos (Spink, 2010) e fundamentada no construcionismo social (Gergen, 1985). Para mapear as controvérsias (Venturini, 2010), foi realizada uma Roda de Conversa online com integrantes e egressos de RMS. O conteúdo foi transcrito e organizado em um mapa dialógico (Nascimento et al, 2014), identificando os repertórios linguísticos (Spink; Medrado, 2013), onde emergiu o conjunto de sentidos “institucionalização das práticas de preceptoria e tutoria”. Também foram analisadas cartas dos fóruns de RMS, documentos de domínio público e diários de campo escritos pela autora principal deste trabalho. Resultados A análise identificou características como a falta de incentivo financeiro, a não liberação para participar de reuniões em instâncias coordenadoras das RMS e o não reconhecimento da carga horária de preceptoria e de tutoria associadas a um processo de não institucionalização dessas funções. Assim, os atores das RMS reivindicam a normatização e a reorganização dessas práticas, e a criação de mecanismos de cogestão entre os segmentos que compõem as Residências. Por outro lado, fragilidades como a ausência naturalizada de preceptores e tutores no cotidiano das RMS emergiram a partir do discurso da institucionalização, sendo consideradas práticas instituídas em meio a uma lógica precarizada. Conclusões/Considerações Os discursos analisados denunciam a precarização das práticas de preceptoria e de tutoria e revelam um distanciamento entre aquilo que está instituído pelas normativas nacionais das RMS e o que é fabricado no cotidiano dos programas. Deste modo, compreende-se a importância da construção de mecanismos de pactuação e conversa que possam produzir movimentos de institucionalização coletivos, democráticos e participativos.

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