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Apresentação/Introdução A população quilombola mantém práticas alimentares enraizadas em seus modos de vida e cultura, possuindo questões identitárias e afetivas na relação com a alimentação. Contudo, diante das transformações que vêm ocorrendo com a urbanização e a oferta de alimentos processados, surgem interrogações de como as crianças quilombolas estão se alimentando atualmente. Objetivos Conhecer as práticas alimentares de crianças quilombolas do Maranhão através do método Photovoice à luz de Pierre Bourdieu. Metodologia Trata-se de um estudo exploratório de abordagem qualitativa, realizado no período de março a maio de 2024, na comunidade quilombola Ariquipá no município de Bequimão-MA. A comunidade situa-se na zona rural do município, na microrregião do Litoral Ocidental Maranhense, ficando a cerca de 10 km da sede municipal, sendo o trajeto realizado por estrada de terra, A amostra foi do tipo intencional, com crianças residentes na comunidade escolhida. Para a coleta de dados, inicialmente, foi utilizado o método Photovoice (fotografia participativa) e Grupo Focal. No tratamento dos dados, aplicou-se a Análise Temática de Bardin. Resultados Serão apresentados à luz de Bourdieu (habitus, campo e capital). Participaram 9 crianças, 5 meninos e 4 meninas, de 8 a 10 anos. As práticas alimentares mostraram o cultivo de alimentos para consumo e a criação de animais combinados com a aquisição de alimentos da zona urbana. Entre os produzidos destacaram- se: aves, suínos, peixes, frutas típicas, milho e mandioca e entre os ultraprocessados foram: salsicha, linguiça e refrigerante. Apesar da influência do capital cultural externo, as crianças mantêm um vínculo identitário com os alimentos tradicionais, que representam seu capital cultural e social. Esse habitus é transmitido através das figuras materna, paterna e da comunidade. Conclusões/Considerações Evidenciou-se a relação das crianças com seu território, onde a maioria dos alimentos consumidos são produzidos. No entanto, a urbanização e a presença crescente de alimentos ultraprocessados, demonstra uma provável mudança de habitus. Essa tensão entre tradições alimentares e influências externas evidencia a dificuldade das famílias quilombolas em manter práticas alimentares saudáveis diante de condições econômicas adversas.
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