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Apresentação/Introdução A discriminação gera, mantém e reproduz injustiças sociais e de saúde. Experiências discriminatórias podem ter início ainda na adolescência e provocar efeitos duradouros ao longo da vida, como aumento do estresse, ansiedade, depressão e restrições no acesso a trabalho, educação e saúde. Compreender os impactos da discriminação vivenciada na adolescência é crucial para mitigar seus efeitos. Objetivos Investigar padrões de discriminação explicitados entre adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos que expressam identidades sexuais e de gênero não hegemônicas. Metodologia Foram utilizados dados da linha de base da coorte PrEP15-19 Escolhas. A amostra foi composta por 498 homens cis que fazem sexo com homens (HSH), travestis, mulheres e homens trans (TrMHT) de 15 e 19 anos. Entre outubro/2024 e janeiro/2025, foi administrada a Escala de Discriminação Explicita entre os participantes para investigar 18 situações de discriminação sofridas nos últimos 6 meses, incluindo aquelas ocorridas no âmbito: da família, da escola, do trabalho e dos serviços de saúde. Foi realizada a análise de classes latentes (ACL) com covariáveis para identificar os padrões de discriminação associados ao entrecruzamentos de gênero, raça e idade. Resultados Do total de participantes, 83,3% eram HSH, 71,7% tinham entre 15-17 anos e 75,1% se classificaram como pretos ou pardos. A ACL revelou 3 classes de respondentes: a 1ª classe (n=257) incluiu indivíduos com as menores probabilidades para explicitar discriminações; a 2ª (n=163) foi composta por sujeitos com probabilidades intermediarias para explicitar de discriminação; e a 3ª (n=78) incluiu respondentes com alta probabilidade para explicitar discriminação, inclusive em serviços ou por profissionais da saúde. A probabilidade de pertencimento à classe 2 foi maior entre TrMHT brancos de 15 a 17 anos; o pertencimento à classe 3 foi maior entre TrMHT negros de 15 a 17 anos. Conclusões/Considerações Adolescentes trans, negros e mais jovens tiveram maior probabilidade de relatar alta discriminação, especialmente nos serviços de saúde. Esses achados reforçam a importância de adotar uma perspectiva interseccional nas intervenções contra injustiças sociais, bem como a urgência de ações antitransfóbicas e antirracistas e da qualificação contínua de profissionais e serviços para a oferta de um cuidado livre de discriminação e transfobia.
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