"O QUE MATA MESMO É A FALTA DE LIBERDADE"

Vol 3, 2025 - 219283
Comunicação Oral
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Resumo

Apresentação/Introdução A internação, prevista no ECA e regulamentada pelo Sinase, é a medida mais severa imposta a adolescentes autores de ato infracional. Embora devesse ser breve e excepcional, pode durar até três anos. Nesse período, rotinas rígidas e ausência de vínculos afetam a saúde mental, especialmente em uma fase de intensas transformações subjetivas. Objetivos O estudo analisou as vivências de adolescentes em privação de liberdade no Paraná, com ênfase nos efeitos da institucionalização na saúde mental, na rotina, nas estratégias de enfrentamento e na forma como o sofrimento é manejado. Metodologia Trata-se de um estudo qualitativo, transversal e observacional, vinculado ao projeto “Ambiência e manejo do adolescente privado de liberdade”, com foco nas entrevistas realizadas com adolescentes em unidades socioeducativas. A coleta ocorreu entre maio e julho de 2024, com roteiro semiestruturado que abordou trajetórias de vida, rotina institucional, sofrimento psíquico e estratégias de enfrentamento. A análise baseou-se na fenomenologia, na hermenêutica e no paradigma psicossocial, visando compreender os sentidos atribuídos pelos adolescentes à privação de liberdade e seus efeitos sobre a saúde mental. Resultados A partir das narrativas dos adolescentes, percebe-se que a privação de liberdade afeta intensamente a saúde mental. Relatam tristeza, ansiedade, culpa, solidão e sofrimento psíquico agravado pela rotina rígida, ausência de escuta e medicalização excessiva ou negligente. A autolesão, o uso de psicotrópicos e o silêncio surgem como estratégias de enfrentamento, enquanto o cuidado entre pares aparece como alternativa afetiva. O manejo institucional é percebido como vigilância e controle, e não como acolhimento, gerando desconfiança e silenciamento. Conclusões/Considerações Conclui-se que o sistema socioeducativo, ao privilegiar a medicalização e o controle disciplinar, contribui para o agravamento do sofrimento psíquico de adolescentes privados de liberdade. As experiências relatadas apontam para a urgência de práticas pautadas na escuta, no cuidado integral e no reconhecimento da singularidade dos sujeitos, rompendo com lógicas punitivas e moralizadoras que silenciam e invisibilizam as dimensões sociais da dor.

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Eixo Temático
  • Eixo 18 - Infância, adolescência e saúde