O MOVIMENTO ANTIVACINA E AS INTERFACES COM A RACIONALIDADE NEOLIBERAL E NEOCONSERVADORA

Vol 3, 2025 - 219867
Comunicação Oral
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Resumo

Apresentação/Introdução Trata-se de tese que investiga a articulação entre o movimento antivacina no Brasil e as racionalidades neoliberal e neoconservadora, analisando como esses discursos se consolidaram especialmente durante a pandemia de Covid-19. Considera-se a vacinação como prática situada em disputas morais, epistêmicas, políticas e econômicas no contexto do avanço da extrema direita. Objetivos Analisar como discursos antivacina no Brasil articulam-se às racionalidades neoliberal e neoconservadora, impactando percepções sociais sobre ciência e liberdade, com foco na construção de subjetividades e no desmonte de políticas públicas de vacinação. Metodologia Utilizou-se abordagem qualitativa ancorada na Teoria Fundamentada nos Dados (TFD), incorporando perspectiva situada, engajada e interseccional. O corpus empírico foi constituído por postagens de dois canais antivacina no Telegram e por textos publicados entre 2020 e 2023 no site do grupo Médicos pela Vida. A análise seguiu as etapas de codificação, cruzando evidências empíricas com referenciais teóricos críticos sobre neoliberalismo, neoconservadorismo e desinformação. A análise buscou compreender os sentidos atribuídos às vacinas, à liberdade e ao cuidado. Resultados Os resultados mostram que o discurso antivacina vai além do negacionismo e expressa uma racionalidade neoliberal baseada na responsabilização individual e na deslegitimação do Estado. O ideal da liberdade é mobilizado para criticar medidas coletivas de saúde e justificar práticas antidemocráticas. Os discursos associam-se à defesa da família como único espaço legítimo de cuidado, culpabilizando mães, atacando populações LGBTQIA+ e sustentando visões biologizantes. Identificou-se a atuação de médicos na desinformação, reforçando discursos conservadores e conspiratórios. O conteúdo circula em ecossistemas digitais que desconstroem a autoridade científica e promovem desconfiança institucional. Conclusões/Considerações Conclui-se que a hesitação vacinal no Brasil é atravessada por disputas ideológicas complexas. A articulação entre neoliberalismo e neoconservadorismo reforça um ecossistema de desinformação sobre vacinas em plataformas digitais. Combater a desinformação exige estratégias de comunicação territorializadas, políticas públicas intersetoriais e reconhecimento da vacinação como prática solidária e democrática, inserida em um projeto de justiça social.

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