“NINGUÉM SABE O QUE A GENTE PASSA”: INTERSECCIONANDO SOFRIMENTO SOCIAL E SAÚDE MENTAL ENTRE ADOLESCENTES DE COMUNIDADES PERIFÉRICAS

Vol 3, 2025 - 219280
Comunicação Oral
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Resumo

Apresentação/Introdução O sofrimento social remete a compreensão da experiência do mal-estar e os processos sociais, políticos e culturais que o engendram e o constituem numa dor incrustada nas subjetividades. A racionalidade neoliberal promove a individualização dos problemas coletivos à medida que promove o sujeito a condição de empresário de si. Objetivos O objetivo do trabalho foi analisar aspectos e processos socioculturais que geram questões de saúde mental entre adolescentes de periferias urbanas e como são percebidos por eles. Metodologia Este trabalho emerge da revisitação do tema saúde mental em 110 entrevistas de adolescentes participantes de três pesquisas etnográficas realizadas em duas comunidades periféricas da cidade de São Paulo. Os instrumentos metodológicos utilizados foram observação e entrevistas em espaços de sociabilidade, escolas públicas e unidades básicas de saúde. Entre 2018 e 2020, desenvolvi um estudo sobre transição da infância para a adolescência. Este bairro também foi campo de um projeto sobre experiências juvenis na pandemia, em 2021 e 2022. A terceira investigação, em 2023, focava necessidades em saúde e o acesso juvenil a serviços de saúde. No total, foram 63 moças e 37 rapazes, de 11 a 19 anos. Resultados Se entre os mais novos prevalecem narrativas de “falta”, “vazio” e “dor” na relação com os pais, os de 18-19 anos ponderam o sofrimento e o estresse ocasionados pela pauperização e trabalho extenuante. A internalização da “pressão” dos pais foi a causa mais referida de “ansiedade” e “depressão”. Hesitações e incertezas corriqueiras na idade amalgamam-se à dimensão subjetiva do neoliberalismo. A “ansiedade” era gerada pelo “medo” de falhar na empreitada de produzir uma vida feliz. O imperativo de “amadurecer” e “aprender a se desenvolver” para “cuidar de mim mesmo” na fase adulta, evoca o discurso do empresário de si, que deve contornar adversidades e gerir uma série de “riscos” sociais. Conclusões/Considerações O atendimento psicológico foi apontado como principal necessidade em saúde de adolescentes. A expressão “ninguém sabe/entende o que a gente passa” ilustra a relevância do “apoio”, sintetizado na noção de “terapia” como processo dialógico de cuidado, cuja finalidade seria entender melhor as situações vividas e aprender a lidar com os desafios que se colocam.

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Eixo Temático
  • Eixo 18 - Infância, adolescência e saúde