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Apresentação/Introdução A dor crônica é frequentemente invisibilizada por não deixar marcas físicas aparentes e por escapar aos parâmetros biomédicos tradicionais. Neste cenário, memes produzidos por pacientes em redes sociais, como o Telegram, tornam-se potentes formas de expressão. Este estudo analisa esses artefatos como dispositivos discursivos que expressam, elaboram e contestam experiências de sofrimento deslegitimadas. Objetivos Investigar como memes compartilhados por pacientes com dor crônica atuam como formas de comunicação, enfrentamento e crítica, refletindo seu papel na denúncia da desautorização médica, na produção de pertencimento e em redes simbólicas de cuidado. Metodologia Estudo qualitativo baseado na análise de conteúdo conforme Sampaio e Lycarião (2022). Foram examinados quatro memes, compartilhados em um grupo de apoio no Telegram voltado a pessoas com dor crônica. Os critérios de seleção consideraram relevância temática, engajamento coletivo e densidade discursiva. A análise seguiu quatro categorias: crítica à autoridade médica e ao epistemicídio da dor; a dor como experiência invisível e desautorizada; o humor como recurso de enfrentamento e denúncia; e a produção de resistência simbólica e de laços de pertencimento. A discussão articula autores da comunicação e da saúde, como Bourdieu, Wacquant, Shifman, Milner e Camargo & Cardoso. Resultados Os memes analisados revelam um repertório discursivo que desafia o silenciamento da dor crônica. Há críticas à medicalização simplificadora, à padronização da experiência de dor e à psicologização do sofrimento invisível. O humor emerge como linguagem de denúncia, reconhecimento e resistência. Ao circular entre pares, os memes constroem redes simbólicas de cuidado e pertencimento, onde os pacientes se veem, se escutam e se validam mutuamente. As peças analisadas ajudam a revelar, por meio do humor e da ironia, experiências de dor que os participantes sugerem ser frequentemente ignoradas, desautorizadas ou mal compreendidas no contexto médico tradicional. Conclusões/Considerações Os memes se configuram como dispositivos expressivos que desafiam a hegemonia biomédica, ao traduzirem em linguagem sensível experiências silenciadas. Para além do humor, funcionam como atos comunicativos e políticos, criando espaços de pertencimento e resistência simbólica. Ao darem voz à dor não legitimada, reforçam vínculos coletivos e disputam os sentidos legítimos sobre o que é sofrer e ser reconhecido.
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