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Apresentação/Introdução O racismo, o sexismo e o classismo, dentre outros marcadores sociais, se entrelaçam nas histórias de mulheres negras gerando vulnerabilidades que têm impacto nas condições de vida. As situações às quais mulheres negras foram e são submetidas têm contribuído para múltiplas desigualdades (Waiselfisz, 2015; Ferreira; Nunes, 2020), produzindo diversas barreiras de acesso aos direitos. Objetivos Analisar as barreiras e as possibilidades de acesso à política pública de assistência social vivenciadas por mulheres negras de uma comunidade quilombola do estado de Goiás, Brasil. Metodologia Trata-se de uma pesquisa-ação, em desenvolvimento, de abordagem qualitativa com uma aproximação à práxis da interseccionalidade (Collins; Bilge, 2021). As estratégias de produção de dados são: entrevistas coletivas direcionadas por questões norteadoras e restituição de dados; e a observação participante com registro em diário de campo. O método analítico utilizado consiste na análise de conteúdo temática de Bardin (1977), que se organiza em pré-análise, exploração do material e o tratamento dos resultados, inferência e interpretação. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás. Resultados Identificou-se mecanismos de poder e controle, que se cruzam, com recortes de raça/cor, de gênero e de classe social desenvolvidos por agentes de organismos governamentais. As mulheres quilombolas participantes da pesquisa relatam práticas institucionais que culpabilizam, segregam, estigmatizam e invisibilizam suas demandas psicossociais. As mulheres quilombolas utilizam estratégias individuais e coletivas para o enfrentamento dessas opressões, como por exemplo, o uso de um tom de imposição e/ou de agressividade; o contato de sua rede pessoal para acessar os serviços; e a disseminação de informações via Associação Quilombola e redes sociais. Conclusões/Considerações A análise parcial dos dados tem apresentado um retrato sobre a inclusão e não inclusão de mulheres negras quilombolas nas políticas públicas, bem como a potencial força organizativa do grupo para que seja possível a construção de um plano de ação multisetorial que apresente novas perspectivas para o futuro e valorize a cultura local.
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