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Apresentação/Introdução A morte materna é uma grande tragédia evitável que atinge as mulheres de forma desigual, a maior parte vitimada são as mulheres negras. A mortalidade materna é um importante indicador de saúde, que aponta possíveis problemas na assistência à saúde da mulher no ciclo gravídico-puerperal, definida como óbito da mulher na gestação até os 42 dias pós parto ocasionada ou agravada pela gestação. Objetivos Analisar as disparidades na mortalidade materna no estado de Mato Grosso por grupo de causas, segundo raça/cor da pele da mãe, no período de 2014 a 2023. Metodologia Estudo ecológico com dados dos sistemas de informação de mortalidade (SIM) e do sistema de nascidos vivos (SINASC). A Razão de Mortalidade Materna (RMM) foi analisada por ano segundo raça/cor (branca, preta, parda e indígena) da mãe, sendo excluído a raça/cor amarela (um óbito no período). Foi considerada a RMM média do período em cada raça/cor segundo faixa etária (10 a 19, 20 a 29, 30 a 39 e 40 a 49 anos), macrorregiões de saúde (centro-norte, sul, leste, oeste e centro-noroeste) e grupos de causas de acordo com a OMS (diretas e indiretas). A fins de comparação foi realizada a RMM média entre pretas/brancas, pardas/brancas e indígenas/brancas. As análises foram realizadas no STATA. Resultados Foram registrados 428 óbitos maternos em Mato Grosso. A RMM média do período foi de 79,1/100.000 nascidos vivos em mulheres da raça/cor branca, 100,7 em mulheres da raça/cor preta, 68,1 em mulheres da raça/cor parda e 125,6 da raça/cor indígena. Quando comparada a média de RMM no período foi quase três vezes maior em mulheres pretas e duas vezes em indígenas, quando comparadas as brancas no ano de 2022. Em 2018, a RMM entre indígenas chegou a ser 9 vezes maior que a registrada entre brancas. Quanto as macrorregiões de saúde, a sul apresentou RMM três vezes maior em mulheres pretas e duas vezes maior entre indígenas comparada as brancas nas macro sul, oeste e centro-noroeste. Conclusões/Considerações O estado de Mato Grosso apresenta disparidades raciais importantes na mortalidade materna no período, com pior cenário nos anos de 2020, 2021 e 2022 e maior risco para mulheres pretas e indígenas, além de variações heterogêneas nas macrorregiões de saúde. Tais disparidades devem ser consideradas no enfrentamento e redução das mortes materna. O estado de Mato Grosso ocupa o 7º lugar com pior RMM no país, distante da meta estabelecida no ODS.
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