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Apresentação/Introdução A limitação funcional em idosos reflete desigualdades acumuladas ao longo da vida. Suas relações com a multimorbidade e a vulnerabilidade socioeconômica impõem desafios à equidade em saúde. Investigar tais associações contribui para fortalecer políticas públicas que assegurem envelhecimento com dignidade e justiça social. Objetivos Avaliar a associação entre multimorbidade e limitação funcional nas atividades básicas (ABVD) e instrumentais da vida diária (AIVD) entre idosos brasileiros, além de verificar a moderação dessa associação pelas condições socioeconômicas. Metodologia Estudo transversal, com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS – 2019), com amostra representativa de brasileiros com 60 anos ou mais. As variáveis dependentes foram limitações funcionais, avaliadas pela dificuldade autorreferida em ≥1 de 6 ABVD ou 4 AIVD. As variáveis independentes incluíram multimorbidade (≥2 doenças crônicas autorreferidas) e condições socioeconômicas (renda domiciliar per capita, escolaridade e escore de bens). Modelos de regressão logística ajustados estimaram associações entre limitações funcionais e multimorbidade. O efeito moderador das condições socioeconômicas sobre tais associações foi avaliado pela inserção de termo de interação nos modelos de regressão. Resultados A amostra final incluiu 22.725 indivíduos com 60 anos ou mais. A prevalência de limitação funcional foi de 8,5% (IC95%: 7,9–9,2) nas ABVD e 18,6% (IC95%: 17,8–19,5) nas AIVD. A multimorbidade esteve associada à limitação funcional tanto nas ABVD (OR=2,30; IC95%: 1,93–2,74) quanto nas AIVD (OR=2,26; IC95%: 1,98–2,57). Indivíduos com menor escolaridade e renda apresentaram maiores chances de limitação funcional. Não foi observada interação entre multimorbidade e posição socioeconômica nas associações avaliadas. Conclusões/Considerações A limitação funcional em idosos brasileiros associou-se a multimorbidade e a condições socioeconômicas, sendo essa associação constante entre os diferentes níveis de posição socioeconômica. Políticas públicas intersetoriais devem priorizar ações preventivas e estratégias de cuidado integral, com foco na equidade, combate à pobreza e promoção da autonomia funcional, reafirmando o direito à saúde e ao envelhecimento digno.
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