LETRAMENTO RACIAL COM IDOSOS: REFLEXÕES E EXPERIÊNCIAS COM MORADORES DA COMUNIDADE DE MANGUINHOS, RIO DE JANEIRO

Vol 3, 2025 - 219888
Comunicação Oral
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Resumo

Período de Realização Dezembro de 2024 até maio de 2025. Objeto da experiência Relato sobre ações de letramento racial com idosos, promovendo diálogo sobre raça, envelhecimento e saúde em contexto de desigualdades. Objetivos Pretendeu-se estimular a conscientização sobre o racismo estrutural no cotidiano dos idosos, fortalecer sua identidade racial — especialmente entre negros — e resgatar a autoestima valorizando memórias, biografias e histórias. Descrição da experiência Foram realizados três encontros presenciais com cerca de 30 idosos, majoritariamente mulheres negras, pertencentes a um grupo de promoção de saúde no CSEGSF. As atividades abordaram racismo cotidiano, identidade cultural e matriarcado, utilizando memória afetiva, músicas, vídeos e textos de Lélia Gonzalez. As dinâmicas estimularam relatos pessoais, valorizando a herança africana na vida e na família dos participantes. Resultados Houve a sensibilização dos participantes, que reconheceram episódios de racismo vividos, muitos pela primeira vez, em espaços institucionais. A autoestima coletiva foi fortalecida ao valorizar a negritude e romper padrões eurocêntricos. Reflexões contínuas foram motivadas, assim como pedidos por mais encontros, evidenciando como o letramento racial ressignifica memórias e fomenta o empoderamento, mesmo entre aqueles com longa trajetória de silenciamento racial. Aprendizado e análise crítica A Lei 10.639/03 não menciona diretamente a população idosa, mas seu impacto ao longo dos anos alcançou diversas gerações, incluindo idosos que não tiveram acesso à educação antirracista. A ausência de espaços educativos voltados a essa temática reforça a necessidade de iniciativas como o letramento racial, promovendo reflexões sobre identidade e memória. Em uma sociedade que valoriza a juventude, esses ambientes favorecem um envelhecimento mais saudável e consciente. Conclusões e/ou Recomendações O letramento racial demonstrou seu potencial na desconstrução de estereótipos e no resgate de memórias, fortalecendo a autoestima coletiva. A metodologia, acessível e replicável, revelou-se valiosa para os grupos do SUS, ressaltando a necessidade de continuidade e da articulação de políticas públicas que integrem envelhecimento, saúde, memória e justiça racial, priorizando pessoas idosas na atenção básica.

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Eixo Temático
  • Eixo 08 - Decolonialidade em Saúde, Interseccionalidades, Racismos e Branquitude