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Apresentação/Introdução A Lesão Moral (LM) é compreendida como sofrimento profundo associado à violação de valores pessoais em nome de ordens institucionais legítimas, causando: culpa, vergonha e ruptura identitária. Este estudo analisa como o uso de Práticas Integrativas e Complementares (PIC) pelas forças armadas articula novas formas de cuidado à LM, revelando disputas culturais no campo da saúde. Objetivos Analisar a literatura indexada sobre o uso das PIC nas forças armadas no cuidado da LM, a partir do referencial teórico-metodológico dos Estudos Culturais (EC) em saúde. Metodologia Foi realizada uma revisão da literatura em dez bases de dados indexadas, totalizando 2242 artigos sobre o uso de PIC por militares. Após aplicação dos critérios de inclusão, 97 estudos foram selecionados. Dentre eles, 43 abordam saúde mental e, 6 tratam da LM. A análise crítica foi guiada pelo referencial dos Estudos Culturais em Saúde, no Circuito de Cultura, permitindo analisar como os sentidos atribuídos ao uso de PIC na LM são culturalmente produzidos nas relações entre sujeitos, instituições e práticas de cuidado. Resultados Os artigos sobre o uso de PIC na LM, inauguram o debate sobre como as relações de poder incidem sobre o corpo, promovendo adoecimento profundo na saúde mental de militares. Militares optam pelo uso de PIC e evitam os serviços de saúde biomédico por temerem retaliações na carreira militar. O cuidado da LM é invisibilizado epidemiologimente, entretando, militares buscam apoio “espiritual” na capelania, onde o sigilo religioso oferece proteção. Nesse espaço promovido por profissionais militares da capelania, também são ofertadas PIC como Ioga, Meditação e “Mindfulness”, ressignificadas como formas de cuidado espiritual. Conclusões/Considerações A literatura evidencia os limites do modelo biomédico no cuidado da LM. As PIC valorizam escuta, espiritualidade e vínculo, e emergem como alternativas terapêuticas seguras. Contudo, o EC amplia criticamente o debate sobre o adoecimento produzido pelas relações de poder, tensionando desfechos centrados em sintomas, e desnaturalizando a cultura bélica nas narrativas científicas. A literatura denuncia a omissão estrutural do Estado.
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