INTEGRALIDADE E INTERSETORIALIDADE NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: UMA ANÁLISE PELA PERSPECTIVA DOS/AS TRABALHADORES/AS

Vol 3, 2025 - 225805
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Resumo

Apresentação/Introdução A Reforma Psiquiátrica Brasileira, impulsionada pela Reforma Sanitária nos anos 1970, resultou na criação do SUS e na saúde como direito. A Lei 10.216/2001 marcou a transição do modelo asilar para serviços comunitários, com os CAPS como dispositivos estratégicos de cuidado psicossocial com equipes multiprofissionais, garantindo atenção integral, intersetorialidade e superação da lógica manicomial. Objetivos Analisar as práticas dos Centros de Atenção Psicossocial de João Pessoa/PB que promovem a integralidade e intersetorialidade no cotidiano, a partir da narrativa de seus/suas trabalhadores/as. Metodologia Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório. Utilizou-se um roteiro de entrevista semiestruturada para orientar a discussão com foco na integralidade e intersetorialidade do cuidado em saúde mental, seguido de um questionário sociodemográfico. A produção dos dados ocorreu entre dezembro de 2023 e março de 2024, com entrevistas gravadas e transcritas, mediante assinatura do TCLE. A análise dos dados seguiu a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 58489422.3.0000.5188), assegurando os princípios éticos e o anonimato dos/as participantes. Resultados Participaram 21 trabalhadores/as de três CAPS, majoritariamente mulheres cis (76,2%), brancas (66,7%) e heterossexuais (95,2%), com média de 5,5 anos de atuação. A maioria era assistente social ou psicólogo/a (28,6% cada), plantonista (95,2%), com contratos temporários (81%). Da análise emergiram quatro categorias: na interprofissionalidade, destacou-se a superação da fragmentação do cuidado via educação permanente. Na articulação de redes, a centralização no CAPS e falta de matriciamento. A Clínica Ampliada apontou espaços de resistência, mas ainda solitários. Já os limites incluíam falta de recursos, profissionais, precarização dos CAPS e desconhecimento dos direitos dos usuários. Conclusões/Considerações O estudo revelou avanços e desafios na RAPS do município, destacando a importância da integralidade e intersetorialidade nos CAPS. Apesar do potencial transformador das práticas psicossociais, ainda persistem obstáculos que refletem os resquícios manicomiais na sociedade. Fortalecer a RAPS exige participação social, articulação com movimentos, educação permanente e pesquisa, valorizando a diferença e outras formas de existência.

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