INSEGURANÇA ALIMENTAR E QUALIDADE DA DIETA EM UMA COMUNIDADE DE TRABALHADORES RURAIS DO SEMIÁRIDO CEARENSE

Vol 3, 2025 - 222135
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Resumo

Apresentação/Introdução A insegurança alimentar (IA) é uma negação à garantia do direito humano à alimentação adequada, afetando principalmente populações em situação de vulnerabilidade, como os trabalhadores rurais sem-terra. No Brasil, os marcadores de consumo alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) têm sido utilizados para monitorar a qualidade da dieta e orientar políticas públicas. Objetivos Descrever a prevalência de IA e investigar a associação entre a situação de segurança alimentar e os marcadores de consumo alimentar em adultos e idosos de uma comunidade de trabalhadores rurais do semiárido cearense. Metodologia Estudo transversal, conduzido com 99 adultos e idosos de uma comunidade de trabalhadores rurais sem-terra do semiárido cearense. Aplicou-se a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) para classificação da segurança alimentar domiciliar. O consumo alimentar foi avaliado com base nos marcadores de consumo alimentar do SISVAN. Foram realizadas análises descritivas e teste de qui-quadrado para comparação das frequências de consumo entre os grupos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética, sob o parecer de nº 2.933.675 e contou com consentimento livre e esclarecido dos participantes. Resultados A prevalência de IA foi de 89,9%, com predomínio da forma leve (43,4%). Dentre os alimentos in natura e minimamente processados, o feijão apresentou a maior frequência de consumo (87,9%), seguido por frutas (50,5%) e verduras/legumes (44,4%). Entre os ultraprocessados, destacou-se o consumo de bebidas adoçadas (56,6%), seguido por biscoitos recheados, doces ou guloseimas (24,2%), hambúrgueres e embutidos (23,2%) e macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados (12,1%). Houve associação significativa entre IA e consumo de feijão (pConclusões/Considerações Detectou-se elevada prevalência de IA nesta população. Apesar desse cenário, indivíduos em situação de IA mantiveram maior consumo de alimentos básicos e culturalmente apropriados, como o feijão, e menor consumo de alimentos ultraprocessados como hambúrgueres e embutidos, indicando preservação de alimentos básicos e menor adesão a ultraprocessados. Os achados reforçam a necessidade de políticas que ampliem o acesso a alimentos saudáveis.

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Eixo Temático
  • Eixo 02 - Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva