INQUÉRITO SOBRE A QUALIDADE DO PRÉ-NATAL E PARTO ENTRE MULHERES INDÍGENAS EM MS: DESAFIOS, MÉTODOS E POTENCIALIDADES EM CONTEXTO INTERCULTURAL

Vol 3, 2025 - 221181
Comunicação Oral Curta
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Resumo

Período de Realização Novembro de 2021 a agosto de 2022 Objeto da experiência Estudo sobre cobertura e qualidade da atenção pré-natal e do parto oferecida a mulheres indígenas em Mato Grosso do Sul, realizado em 10 municípios. Objetivos Apresentar os resultados do inquérito epidemiológico estadual, caracterizando os cenários da atenção à saúde materna indígena em MS; identificar barreiras de acesso e qualidade; e relatar estratégias metodológicas e de disseminação utilizadas para garantir rigor científico e respeito intercultural. Metodologia A pesquisa, coordenada pela Fiocruz/MS, entrevistou 467 puérperas indígenas em 12 hospitais e 1 casa de parto de 10 municípios sul-mato-grossenses. O estudo aplicou instrumentos estruturados e realizou análise de documentos clínicos, como cadernetas da gestante. Foram produzidos materiais de divulgação científica acessíveis, como o Catálogo Oguata e podcasts, visando informar comunidades indígenas e gestores de saúde. Resultados Cerca de 67% das gestantes iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre, 50% realizou sete ou mais consultas. A maioria foi atendida em UBSI por equipes multiprofissionais. Barreira de acesso como falta de transporte e fragilidades na integração entre subsistemas de saúde foram destacadas. Apesar dos desafios, a pesquisa fortaleceu o diálogo entre conhecimento biomédico e saberes tradicionais e produziu dados relevantes para qualificação das políticas públicas voltadas à população indígena. Análise Crítica A experiência demonstrou a importância da construção metodológica sensível ao contexto sociocultural indígena. A pandemia exigiu adaptações logísticas significativas, mas também estimulou a inovação na comunicação científica. A subnotificação de dados clínicos nos documentos das gestantes, aliada à desarticulação entre serviços do SasiSUS e das redes municipais, reforça a necessidade de fortalecer a educação permanente das Equipes Multiprofissionais de Saúde Indígena (EMSI). Conclusões e/ou Recomendações Recomenda-se o fortalecimento das EMSI, ampliação da oferta de exames, vacinas e transporte seguro, além da institucionalização de fluxos entre Polos Base e serviços de alto risco. Destaca-se a importância de políticas que integrem práticas tradicionais e valorizem o protagonismo indígena no cuidado materno-infantil. Sugere-se a criação de comitês de investigação de óbitos maternos e infantis com representatividade indígena.

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Eixo Temático
  • Eixo 31 - Saúde dos Povos Indígenas