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Apresentação/Introdução Embora o acesso à água seja um direito humano, 2,2 bilhões ainda vivem sem água potável. No semiárido brasileiro, onde secas e desigualdades persistem, mulheres e crianças buscam água de fontes inseguras. O Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), criado em 2003, instala cisternas e pode reduzir mortes infantis, mas seu impacto geral na mortalidade em menores de 5 anos ainda não havia sido avaliado. Objetivos Investigar o impacto do P1MC na mortalidade geral em menores de 5 anos. Metodologia Foram vinculados dados administrativos sobre status socioeconômico, nascimentos vivos, mortalidade e recebimento do P1MC na Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros (2003–2018). Foram incluídas crianças menores de cinco anos residentes na região semiárida. Foram comparadas crianças em domicílios que receberam cisterna entre 0 e 5 anos e crianças cujos domicílios só receberam cisterna após 5 anos. Foram utilizados modelos de regressão de Cox e regressão logística para estimar o Peso Inverso da Probabilidade de Tratamento, avaliando o impacto do programa na mortalidade infantil geral. Resultados Foram analisadas 354.543 crianças nascidas em domicílios que receberam o P1MC em algum momento entre 2003 e 2018, com 793 mortes (0,22%) antes dos cinco anos. Crianças que tiveram acesso às cisternas entre o nascimento e 5 anos de idade apresentaram risco 44% menor de mortalidade geral em comparação com aquelas em domicílios que só receberam cisternas após os 5 anos (HR=0,56, IC95%=0,34–0,94). Conclusões/Considerações Receber o P1MC, que aumenta o acesso à água segura, foi associado à redução da mortalidade em menores de cinco anos na região semiárida do Brasil.
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