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Apresentação/Introdução Fundamental para a prática do cuidado, o trabalho emocional exige escuta, acolhimento e mobilização das emoções para a capacidade de empatia. Contudo, ele é invisibilizado enquanto habilidade adquirida e esperado como qualidade inata ao profissional de saúde. Se mulheres compõem a maioria desta força de trabalho, existe relação entre o gênero e o trabalho emocional no cuidado em saúde? Objetivos Apoiada na epistemologia feminista materialista sobre trabalho reprodutivo, esta pesquisa objetiva analisar a relação entre saúde mental, gênero e o trabalho emocional realizado por mulheres no âmbito do cuidado em saúde. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa com trabalhadoras da saúde com história de afastamento por motivo de saúde mental entre 2014-2024. Foram selecionadas 10 mulheres pelo método Bola de Neve, que recorreu a informantes-chave, como gestores, e indicações pessoais das participantes. Cada entrevista semiestruturada individual durou em média 60 min nos formatos presencial e remoto. A análise utilizada foi a condensação de significados, que agrupou trechos de falas essenciais em 4 núcleos relacionados ao tema “trabalho emocional". Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da UFPE e aprovado sob o parecer n. 7.484.051 de 03/04/2025. Resultados A análise das entrevistas revelou os seguintes núcleos de significado: disponibilidade para escuta; identificação com problemas do outro; regulação emocional diante de momentos críticos; e esgotamento físico e psicológico ao lidar com sofrimento. Todas as trabalhadoras atribuíram à escuta o sucesso do vínculo terapêutico. Contudo, sua prática exigiu um exercício constante de supressão das emoções, como tristeza, raiva e angústia, para satisfazer as necessidades de bem-estar do outro. Algumas apresentaram dissociação como mecanismo psicológico de enfrentamento. A exposição permanente à dor alheia, produzindo exaustão, afetou cronicamente a saúde mental das profissionais entrevistadas. Conclusões/Considerações O trabalho emocional é o aspecto subjetivo do cuidado em saúde. A divisão do trabalho baseada no gênero explica que o papel de cuidadora, visto como algo natural e não qualificado, está associado às mulheres. Com isso, espera-se que essas profissionais sacrifiquem suas próprias necessidades para atender ao outro sem a contrapartida de serem, também, cuidadas, o que impacta diretamente sua saúde mental.
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