FUNCIONALIDADE E ESTIGMA EM PESSOAS COM HANSENÍASE: ESTUDO EM CENTRO DE REFERÊNCIA NO ESTADO DE MINAS GERAIS

Vol 3, 2025 - 220093
Comunicação Oral Curta
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Resumo

Apresentação/Introdução A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica e endêmica no Brasil, com repercussões físicas e psicossociais. Seus impactos ultrapassam as incapacidades físicas, afetando a funcionalidade, a participação social e gerando estigma. Compreender essas dimensões é essencial para o cuidado integral às pessoas acometidas. Objetivos Identificar o perfil de funcionalidade e os impactos do estigma em pessoas com hanseníase atendidas em um centro de referência em Belo Horizonte, Minas Gerais. Metodologia Estudo observacional transversal com amostra não probabilística. Foram critérios de inclusão: diagnóstico confirmado, estar em tratamento clínico ou de surto reacional, idade entre 18 e 59 anos. A coleta ocorreu de abril a setembro de 2024, por meio dos formulários: Avaliação Neurológica Simplificada; Escala Triagem de Limitação de Atividade e Consciência de Risco (SALSA), Escala de Estigma para Pessoas Acometidas pela Hanseníase (EMIC-AP), este último sugerido no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (PCDT). Realizou-se análise descritiva e exploratória, esta com regressão linear, para investigar associações entre desfechos funcionais e psicossociais. Resultados Foram avaliados 43 indivíduos, 60,5% homens, média de idade de 38,8 anos. Predominaram a forma virchowiana (55,8%) e casos multibacilares (95,3%). Sintomas nos membros inferiores foram relatados por 76,7%, e 78,5% apresentaram incapacidade física. Limitação de atividades foi observada em 72% (Escala SALSA), e 69,8% tinham consciência de risco. O estigma variou de 0 a 34 (mediana 14); 60,5% ocultaram o diagnóstico e 44,2% se afastaram socialmente. A limitação foi predita por idade, estigma e consciência de risco (R²=0,731); o estigma, pelo escore SALSA (R²=0,376). Conclusões/Considerações A hanseníase afeta a funcionalidade e está associada ao estigma, mesmo durante o tratamento. Os achados reforçam a necessidade de intervenções que integrem dimensões psicossociais ao cuidado, superando a abordagem biomédica e promovendo qualidade de vida, inclusão social e reabilitação integral das pessoas acometidas.

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