FEBRE OROPOUCHE: DA NEGLIGÊNCIA MIDIÁTICA AO ACONTECIMENTO MARGINAL

Vol 3, 2025 - 221678
Comunicação Oral Curta
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Resumo

Apresentação/Introdução O não acontecimento midiático tem sido adotado para referir-se a fenômenos de saúde que não repercutem na mídia de massa. Todavia, com base em uma reflexão foucaultiana, esse conceito seria contraditório, visto que a existência de notícias, mesmo em baixa frequência ou publicadas em veículos secundários, caracteriza um acontecimento. Estudo sobre a febre Oropouche ilustra essa questão. Objetivos Desde uma perspectiva foucaultiana e da noção de incidente crítico, no contexto da cobertura da febre Oropouche, problematizar o conceito de não acontecimento jornalístico e propor o de acontecimento marginal. Metodologia O corpus foi formado por 208 notícias (textos e vídeo-reportagens), veiculadas no período de 01/07/2024 a 01/03/2025 pelo Portal G1. A análise foi orientada pelos estudos críticos do discurso, com vistas à identificação das características da produção jornalística antes, durante e após as primeiras mortes registradas mundialmente por essa enfermidade. O aumento exponencial dos óbitos por febre Oropouche foram entendidos como incidentes críticos, eventos-chave que alteram a dinâmica cotidiana, produzindo efeitos e impactos em um dado contexto. Como incidentes críticos, os óbitos romperam a lógica de invisibilização midiática de massa e deram publicidade à doença, historicamente negligenciada. Resultados Houve produção midiática sobre a febre Oropouche no mês imediatamente anterior aos incidentes críticos – aumento exponencial dos óbitos fora da região amazônica, única do país em que a doença era endêmica havia décadas. Essas produções abordam a expansão territorial da Oropouche (arbovírus conhecido desde 1960, sua sintomatologia e as principais medidas de prevenção em relação ao vetor, mosquitos como o Culicoides paraenses. A cobertura de abrangência local passou a ser projetada exponencialmente para veículos nacionais após o incidente crítico, que toma parte considerável do noticiário. Três exemplos de notícia, antes, durante e depois serão utilizados para expor essas características. Conclusões/Considerações Houve cobertura da doença antes do incidente crítico, com uma estrutura relativamente estável e características de monitoramento. Assim, a doença não pode ser entendida como um não acontecimento. Daí propomos nomenclaturas alternativas a eventos desse tipo. Seguindo a proposta das doenças midiaticamente negligenciadas, postulamos o conceito de acontecimento de saúde midiaticamente marginalizado para a cobertura da Oropouche anterior aos óbitos.

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  • Eixo 07 - Comunicação e Saúde