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Apresentação/Introdução A literatura científica tem acumulado evidências sobre a relação entre percepção de discriminação e problemas de saúde mental, como os transtornos mentais comuns (TMC). Apesar das evidências, poucos estudos utilizam metodologias adequadas para investigar os efeitos da cronicidade da exposição a discriminação percebida na saúde mental de mulheres negras no Brasil e no mundo. Objetivos Esse estudo tem como objetivo investigar a associação entre a exposição crônica a discriminação percebida e a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) em mulheres negras participantes da coorte Elsa-Brasil. Metodologia Trata-se de um estudo transversal, que utilizou os dados da Onda 3 do ELSA-Brasil. Foram incluídas mulheres pretas e pardas (n=2.891) com objetivo destacar o efeito da discriminação percebida, evitando vieses de comparação com grupos que não a vivenciam ou a experienciam de forma distinta. A exposição foi medida pela Everyday Discrimination Scale (EDS utilizando uma categorização baseada em cronicidade que reflete a intensidade e a recorrência das experiências da discriminação percebida. Os TMC foram mensurados pelo instrumento Clinical Interview Schedule-Revised (CIS-R).Utilizou-se regressão logística para estimar Odds Ratios (OR) e IC 95%. As análises foram realizadas no Stata 14. Resultados Os resultados deste estudo evidenciaram a associação entre discriminação percebida e saúde mental entre mulheres negras. Após o ajuste por idade, escolaridade, renda familiar per capita e cuidado de outras pessoas, observou-se um aumento nas chances de TMC conforme aumentavam os níveis de discriminação percebida, com Odds Ratios de 1,71 para discriminação baixa, 2,78 para moderada e 5,21 para alta. Além disso, a análise estratificada por união conjugal evidenciou que a associação entre discriminação percebida e TMC foi mais intensa entre mulheres sem companheiro(a), com valores de OR variando de 2,6 para discriminação baixa a 7,2 para discriminação alta. Conclusões/Considerações A experiência de discriminação percebida está associada a maiores chances de TMC entre mulheres negras, refletindo os efeitos do racismo estrutural. Esse processo histórico tem produzido um acúmulo de experiências negativas que contribuem para o adoecimento crônico dessas mulheres. Evidenciar a discriminação e o racismo como fenômenos contínuos é essencial para orientar políticas públicas que atuem de forma estrutural em relação ao problema
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