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Apresentação/Introdução Comunidades quilombolas enfrentam desigualdades históricas que impactam suas formas de viver, trabalhar e cuidar da saúde. Esta pesquisa parte de experiências rurais (SP) e urbanas (MG), abordando o trabalho, a agroecologia e os modos coletivos de resistência em seus territórios. Objetivos Investigar condições de saúde e trabalho em comunidades quilombolas rurais e urbanas, analisando os DSS e a determinação social do processo saúde-doença-trabalho em contextos agroecológicos e de economia solidária. Metodologia Pesquisa-ação com observação participante e entrevistas em duas comunidades quilombolas: uma urbana, em Belo Horizonte (MG), e outra rural, no Vale do Ribeira (SP). A análise é guiada pelo modelo biopsicossocial, pelos determinantes sociais da saúde e pela determinação social do processo saúde-doença-trabalho. Utiliza-se a Ergonomia da Atividade para compreender as relações entre trabalho, saúde e funcionalidade, valorizando saberes locais. Acompanha-se o cotidiano de vida e trabalho, com foco na produção agroecológica (especialmente do café) em SP e na produção cultural e artesanal como geração de renda em MG. Resultados Em ambas as comunidades, moradores têm buscado trabalho fora dos territórios, mas expressam o desejo de fortalecer o trabalho local como fonte de renda, pertencimento e cuidado. Em SP, a produção agroecológica enfrenta barreiras ergonômicas, climáticas e organizacionais, afetando mobilidade, resistência, cognição e dor musculoesquelética. Em BH, há instabilidade nas redes de artesanato, bambuzeria e produção cultural, comprometendo engajamento, autonomia funcional e reconhecimento social. A análise evidencia como fatores sociais (como racismo estrutural, precariedade das redes de apoio, ausência de políticas de fortalecimento da economia local), ambientais (como instabilidade climática, degradação do solo, dificuldade de acesso à água de qualidade) e políticos (como invisibilidade institucional, escassez de políticas públicas específicas e burocracias nos editais de fomento) impactam o desempenho, a participação e a funcionalidade, influenciando o desejo de permanecer com dignidade e saúde nos territórios. As dores físicas, o sofrimento psíquico e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde foram relatados por ambas as comunidades como fatores que agravam as vulnerabilidades e limitam a continuidade dos projetos de vida nos territórios. Conclusões/Considerações O trabalho é central na produção de saúde e pertencimento em territórios quilombolas. Valorizar saberes locais, fortalecer redes solidárias e ampliar políticas públicas são caminhos para a permanência digna. As experiências mostram que modos de vida enraizados no território geram cuidado, autonomia e resistência.
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