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Apresentação/Introdução As águas do Paraguaçu moldam os modos de vida no território da Bacia e Vale do Iguape, em Cachoeira – Bahia, onde quilombolas enfrentam o racismo ambiental. A contaminação do rio impacta saúde, renda e espiritualidade, mas encontra resistências que impulsionam reorganizações a partir de práticas de cuidado coletivo ancoradas na ancestralidade, no território e nos saberes tradicionais. Objetivos Analisar os impactos do racismo ambiental na saúde e no modo de vida da comunidade quilombola Engenho da Ponte, e as estratégias coletivas construídas para resistir e reorganizar a vida a partir do território. Metodologia Pesquisa qualitativa de base etnográfica, com observação participante, escuta sensível e registro fotográfico realizada na comunidade quilombola Engenho da Ponte. Foram realizadas conversas informais e rodas de diálogo com marisqueiras, lideranças e jovens. O estudo articula a Teoria Ator-Rede, o pensamento de Nêgo Bispo, Roberto Lacerda e Leda Maria Martins, destacando as ideias-força de envolvimento, tempo espiralar, biointegração e territorialidades quilombolas como fundamentos de análise. Resultados A pesquisa revelou que a contaminação das águas do Paraguaçu impacta diretamente a saúde física e mental, a economia e a espiritualidade local. Em resposta, surgem alternativas coletivas lideradas por mulheres e jovens: reconfiguração de práticas econômicas, valorização dos saberes ancestrais e ações de educação ambiental. O Coletivo de Jovens Quilombolas da comunidade quilombola Engenho da Ponte se destaca ao articular ações de saúde, agroecologia e mobilização política, afirmando o território como espaço de cuidado, resistência e futuro. Conclusões/Considerações O racismo ambiental, ao comprometer o modo de vida tradicional, produz impactos adoecedores. No entanto, a comunidade mobiliza saberes ancestrais, juventude e práticas de cuidado que reafirmam o território como lugar de vida e resistência. As alternativas construídas expressam uma ética antimanicolonial que articula cuidado, resistência e ancestralidade.
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