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Apresentação/Introdução O crescimento do varejo digital de alimentos, impulsionado pela pandemia de COVID-19, exige compreender como os alimentos são promovidos nessas plataformas. Acredita-se que há predominância dos alimentos ultraprocessados, e essa alta disponibilidade e divulgação deles pode impactar negativamente a saúde, tornando essencial analisar sua apresentação e divulgação no e-commerce de supermercados. Objetivos Avaliar a disponibilidade e o tipo de publicidade de alimentos no varejo digital de supermercados, considerando o grau de processamento, as estratégias de marketing e a presença de informações nutricionais. Metodologia Estudo transversal realizado em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP), com dados coletados em setembro de 2023. A amostra incluiu Atacadão, Carrefour, Pão de Açúcar e Savegnago, que representam 25% do mercado. Utilizou-se o protocolo "Online Grocery Store Assessment Tool" proposto pelo INFORMAS e o instrumento. Os alimentos foram classificados segundo a classificação NOVA de alimentos. Avaliaram-se estratégias de publicidade, alegações de marketing, apelos de sustentabilidade, informação nutricional e rotulagem frontal. As análises foram feitas pelo teste exato de Fisher. Resultados Os alimentos ultraprocessados foram os mais frequentemente observados (99,16% em páginas de não saudáveis, 57,59% em promocionais, 43,96% em inicial). Eles concentraram a maior parte dos apelos promocionais, com destaque para múltiplas ofertas (89,25%), alegações de marketing (88,68%) e alegações de saúde e bem-estar (57,58%). Frequentemente, receberam apelos de frete grátis e descontos temporários. Notavelmente, apelos de sustentabilidade (orgânico, cultivado localmente, produção sustentável) também foram mais aplicados a ultraprocessados, contrariando as expectativas. Conclusões/Considerações O varejo digital de supermercados favorece a promoção de ultraprocessados, com destaque para estratégias publicitárias que associam esses produtos a saúde, bem-estar e sustentabilidade. A escassa informação nutricional compromete o direito à escolha consciente. É urgente ampliar a regulamentação e o monitoramento do ambiente digital para promover a alimentação saudável.
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