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Apresentação/Introdução Este trabalho articula a interseccionalidade à determinação social do processo saúde-doença para discutir o epistemicídio no apagamento histórico de autores(as) negros fundamentais na constituição do campo da saúde mental. Propõe-se visibilizar vozes negras apagadas da memória da Reforma Psiquiátrica, evidenciando a resistência e pioneirismo negro na identificação e combate ao racismo. Objetivos Discutir as desigualdades raciais dando visibilidade à tensão entre o pioneirismo negro na produção de cuidado e resistência ao racismo e o apagamento de autores(as) negros na Reforma Psiquiátrica. Metodologia Trata-se de um estudo teórico-analítico, de base qualitativa, sustentado por revisão crítica da bibliografia. Utiliza como operadores conceituais a determinação social do processo saúde-doença e a interseccionalidade para analisar as produções de autores(as) negros no campo da saúde mental, com foco no livro “Racismo, subjetividade e saúde mental: pioneirismo negro”. A análise parte de uma abordagem histórico-política, articulando os contextos sócio-políticos aos modelos de saúde e a atuação de intelectuais negros/as nos processos de construção política da Reforma Psiquiátrica e sua fundamentação teórico-prática, assim como das políticas públicas de saúde mental no Brasil. Resultados A análise evidenciou o apagamento histórico de intelectuais negros/as na construção da saúde mental e da Reforma Psiquiátrica e também a potência de suas produções. Para dizer de alguns expoentes e suas contribuições para o debate racial no campo do cuidado em saúde mental, cito: Juliano Moreira, que negou o determinismo racial; Frantz Fanon, que propôs a sociogênese do sofrimento psíquico vinculado à opressão racial e histórica; Virgínia Bicudo, que deslocou a escuta psicanalítica para a dimensão racial da subjetividade e denunciou o mito da democracia racial; e Neusa Santos Souza, que desvelou os efeitos do racismo no ego negro e propôs uma clínica politizada e implicada com a militância. Conclusões/Considerações A visibilização de intelectuais negros/as na história da saúde mental revela contribuições fundamentais para a construção de práticas de cuidado comprometidas com a justiça social e a equidade racial. O reconhecimento desses legados é uma forma de resistência e denúncia ao genocídio e epistemicídio da população negra, promotores de morte e adoecimento, pois convoca a uma ética do cuidado engajada com a denúncia do racismo e transformação social.
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