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Apresentação/Introdução A multimorbidade desafia a prestação de cuidados e estrutura dos serviços de saúde ao se associar com declínio funcional, pior qualidade de vida, maior uso dos serviços de saúde e risco de óbito. Estudos sobre desigualdades raciais na multimorbidade têm indicado a necessidade de identificar grupos que podem estar em maior risco para adoecimento precoce e acúmulo rápido de condições crônicas. Objetivos Avaliar o acúmulo de condições crônicas por raça/cor e a idade média em que grupos raciais e interseccionais (raça/cor e gênero) alcançam a multimorbidade em 10 anos de seguimento do ELSA-Brasil. Metodologia Foram analisados dados entre a linha de base (2008-2010) e onda 3 (2017-2019) da coorte do ELSA-Brasil referentes a de 14081 participantes, totalizando 38984 avaliações presenciais e 109469 ligações telefônicas no período. Foram avaliadas 16 condições crônicas na linha de base, das quais 9 foram reavaliadas no seguimento. O acúmulo de morbidades foi analisado pela raça/cor autodeclarada e por grupos interseccionais de raça/cor e gênero. Modelos lineares generalizados mistos com efeitos aleatórios foram utilizados para estimar o acúmulo de morbidades no tempo, considerando a estrutura de medidas repetidas e ajustando para fatores sociodemográficos e comportamentos relacionados à saúde. Resultados Pardos apresentaram contagens de condições crônicas 3% mais alta que brancos (razão das contagens médias: 1,03; IC 95% 1,001-1,06) e pretos 8% mais alta que brancos (razão das contagens médias: 1,08; IC 95% 1,05-1,11). Em média, pretos cruzam o limiar de multimorbidade aos 55 anos, pardos aos 57,5 e brancos aos 59 anos. Entretanto, as mulheres acumularam condições crônicas mais rapidamente, alcançando a situação de multimorbidade cerca de 10 anos mais jovens que seus pares, as mulheres pretas foram as mais adoecidas (alcançando a multimorbidade aos 45 anos, em média) e os homens brancos aqueles que vivem mais tempo sem multimorbidade, alcançando a segunda condição crônica próximo dos 60 anos. Conclusões/Considerações Os achados evidenciam desigualdades marcadas por raça/cor e gênero, estando as mulheres pretas em situação de maior adoecimento, e apontam a necessidade de estratégias intersetoriais que promovam melhores condições existenciais no curso de vida, para evitar e postergar o desenvolvimento de condições crônicas, e melhor acesso aos bens e serviços de promoção da saúde e prevenção de agravos.
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