DESCOLONIZAR O CUIDADO NA RELAÇÃO CAMPO-CIDADE. LUTAS E PROCESSOS EMANCIPATÓRIOS EM PERIFERIAS URBANAS: SALVADOR (MSTB) E RIO DE JANEIRO (CEM), BRASIL.

Vol 3, 2025 - 220775
Comunicação Oral Curta
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Resumo

Apresentação/Introdução Este trabalho relata sobre a pesquisa realizada pelo Núcleo Ecologias e Encontro de Saberes para a Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes) com territórios situados em periferias urbanas nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro. A pesquisa está baseada na noção de Promoção Emancipatória da Saúde (PES), como paradigma de apoio às lutas sociais por saúde, dignidade e direitos territoriais. Objetivos Refletir acerca da PES como proposta conceitual-metodológica para descolonizar e coracionar saberes e práticas de saúde e cuidado em duas periferias urbanas: Complexo da Penha (RJ) e ocupações Quilombo Paraíso e Manuel Faustino (Salvador). Metodologia Através de duas experiências de pesquisas realizadas a partir de 2021 com pesquisadores do núcleo de pesquisa (Palm JL: 2024) e ativistas dos territórios mencionados, busca-se a valorização da sabedoria dos moradores de periferias urbanas vinculadas ao cuidado coletivo e comunitário como produção de alimentos agroecológicos, escalda-pés, cultivo de ervas, cozinha comunitária e outros elementos ligados à saúde e à sabedoria ancestral. A metodologia destaca as denúncias e os anúncios, por meio de relatos significativos (Fasanello, Porto: 2019) produzidos nas oficinas realizadas para a discussão dos eixos Racismo e Saúde; Cuidado Comunitário; Moradia Digna e Ecologismo Popular. Resultados No território Terra Prometida, situado no Complexo da Penha (RJ), atua a organização comunitária Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM). Em Salvador, nas ocupações citadas, atua o Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB). Nos territórios existem fortes componentes de quatro injustiças: social, sanitária e sobretudo, ambiental e cognitiva. No território de ação do MSTB existem barreiras no atendimento por parte dos profissionais do Hospital do Subúrbio, condicionando o atendimento dos moradores à apresentação de comprovante de residência. No Rio de Janeiro, a falta de mapeamento do território pelo governo do estado impede a comunidade de ter acesso às políticas ampliadas de saúde. Conclusões/Considerações Desterritorialização e políticas de moradia excludentes adotadas pelo Estado vulnerabilizam parcelas da população que sofrem com a injustiça social, o racismo e outras formas de violência. Contudo, saberes situados aliados à retomada da ancestralidade têm sido fundamentais na descolonização do cuidado e nas resistências no contexto das periferias urbanas, com mulheres negras incorporando saberes do campo e da natureza em suas lutas.

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Eixo Temático
  • Eixo 22 - Movimentos Sociais e Educação Popular em Saúde