DECOLONIZANDO O CUIDADO FARMACÊUTICO: COMBATENTO OS PRECONCEITOS DE RAÇA, GÊNERO E SEXUALIDADE

Vol 3, 2025 - 223031
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Resumo

Apresentação/Introdução O farmacêutico como profissional que cuida de pessoas, requer formação robusta em habilidades clínicas e humanísticas. O novo currículo que deve priorizar as questões que envolvem o cuidado, inclui debate sobre o gênero, a raça e a sexualidade e demanda estratégias educacionais inovadoras e críticas, tal como aponta a visão decolonial. Tais eixos orientam essa pesquisa de doutorado 2020-2024 Objetivos O objetivo foi construir, implementar e compreender como estratégias educacionais que acolhem as diferenças raciais, de gênero e sexualidade podem identificar e combater esses preconceitos dentro dos processos de cuidados em serviços de saúde Metodologia As estratégias educacionais foram elaboradas a partir do prisma da decolonialidade visando combater estruturas que permanecem hierarquizando vidas, mesmo após a colonização. A colonialidade do saber foi combatida com a crítica freiriana ao ensino bancário, e da elaboração de autoetnografias e escrevivências que emergem de vivências de uma farmacêutica negra, com 20 anos de clínica no SUS e usa sua experiência de profissional, professora e paciente para denunciar a cultura violenta do sistema brancocisheteropatriarcal nos serviços de saúde. Tais textos evidenciam problemas reais para os educandos mobilizando-os através do engajamento empático rumo a promoção da equidade em saúde e justiça social Resultados No doutourado uma disciplina de 30 horas foi desenvolvida onde os educandos passaram por um processo de intensa reflexão sobre como os preconceitos emergem na prática dos profissionais de saúde. Na disciplina emergiu o processo do Letramento sociocrítico culminando em um giro decolonial identificado quando os educandos reabrem espaços de poder na faculdade. Foi construído o primeiro novembro negro da faculdade de farmácia da UFMG, que em 7 anos de evento abrigou sua primeira atividade antirracista. Por meio de escrevivências a primeira autora descobre um problema farmacoterapêutico relevante, que não é discutido entre farmacêuticos, apontando um viés raramente discutido no cuidado farmacêutico. Conclusões/Considerações As perspectivas decoloniais se mostram críticas inovadoras ao que está posto na profissão de farmácia. Apresenta inúmeras contribuições dentro de um contexto de hegemonia brancacisheterpatriarcal. A escrevivência, que foi descrita como “tangível, quase dá pra pegar e tátil”, mostrou-se útil para desvelar aspectos que tem sido historicamente silenciados em nossa sociedade, e, por isso, é experienciada como verdadeira, potente e mobilizadora.

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Eixo Temático
  • Eixo 08 - Decolonialidade em Saúde, Interseccionalidades, Racismos e Branquitude