DECOLONIALIDADE E FORMAÇÃO: A AUSÊNCIA DE MARCAS DA DECOLONIALIDADE NOS CURRÍCULOS DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO

Vol 3, 2025 - 223022
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Resumo

Apresentação/Introdução O trabalho objetiva discutir a presença ou ausência de marcas da decolonialidade nos currículos dos cursos de psicologia das universidades públicas do Estado de São Paulo. Para isso, entendemos como a colonialidade foi imposta através das estruturas de poder, dentre elas o currículo, que confirma o pensamento branco, masculino, cisgênero, heterossexual, colonial, em grande parte das disciplinas. Objetivos A pesquisa objetivou analisar e compreender as marcas de decolonialidade presentes em currículos de formação de psicólogas/os, por meio do levantamento dos planos de ensino dos cursos de psicologia de universidades públicas do Estado de São Paulo. Metodologia O trabalho se define enquanto uma pesquisa qualitativa e, assim, se debruça no universo de significados dos processos, fenômenos, das ações e relações humanas, e o faz a partir de uma abordagem dialética, de modo que a quantidade de marcas decoloniais nos planos de ensino dos currículos foi analisada enquanto uma qualidade do fenômeno do currículo enquanto campo de disputa. Assim, foi investigada a presença ou ausência de tais marcas, a parte do currículo em que estão alocadas e, caso não existam, ou apenas em pouca quantidade, o possível porquê, e como isso pode influenciar na formação de futuras/os psicólogas/os no atendimento da população no Sistema de Saúde. Resultados Foram encontradas poucas marcas da decolonialidade nos Planos de Ensino comparadas às quantidades totais analisadas. Encontraram-se localizadas, sobretudo, em matérias ligadas aos temas de Gênero e Sexualidade, Relações Étnico-Raciais e à Psicologia Social, não sendo discutida de forma transdisciplinar. Já a colonialidade se mostra presente em diversos outros âmbitos do curso, como nas disciplinas em que o pensamento predominante é o masculino, branco, cisgênero, heterossexual, de classe média, sendo a decolonialidade ausente, mesmo que para questionar tal conhecimento de forma a agregar outras perspectivas, impactando na formação e atuação da/o discente como profissional da psicologia. Conclusões/Considerações A Universidade segue uma lógica colonial, expressa em sua estrutura, seus integrantes, e saberes, através da colonialidade do saber, presente em suas teorias e no que é considerado legítimo para integrar o currículo. Ademais, o currículo atua enquanto mecanismo de saber-poder, construído historicamente pelo opressor, que seleciona, exclui e oportuniza ou não expressão de conhecimentos e epistemes, de povos anteriormente subjugados, na grade curricular.

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Eixo Temático
  • Eixo 08 - Decolonialidade em Saúde, Interseccionalidades, Racismos e Branquitude