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Apresentação/Introdução No cuidado a condições crônicas, reconhece-se o benefício das Práticas Integrativas e Complementares (PIC), em especial na dor musculoesquelética (DME), uma das principais causas de atendimento na Estratégia de Saúde da Família (ESF). Inseridas na ESF por meio de suas equipes de saúde, espera-se que as PIC contribuam na redução do consumo de analgésicos e opioides dos usuários com DME crônica. Objetivos Estimar o custo-benefício da oferta de práticas integrativas e complementares pelas equipes da Estratégia de Saúde da Família para o cuidado à dor musculoesquelética em relação ao consumo de analgésicos. Metodologia Foram coletados relatórios de prontuário eletrônico de 3.070 usuários atendidos com DME em 2019 em quatro Centros de Saúde (CS) de Florianópolis, Santa Catarina, a fim de verificar os registros de diagnóstico, atendimentos e medicamentos para os grupos tratados com e sem integração de PIC. Os custos por atendimento foram calculados por custeio por atividade, e dos medicamentos analgésicos por informações disponíveis no portal da transparência do município. Os cálculos foram realizados pelo Microsoft Excel® e Stata®, a partir de regressão linear com mil repetições (bootstrapping), para ambos os grupos sem e com ajustes por características demográficas (sexo, idade e CS do atendimento). Resultados Os usuários atendidos com PIC receberam mais atendimentos e analgésicos. Após ajustes, houve diferença positiva na redução do gasto de analgésicos no grupo com PIC sem significância estatística. Logo, a relação de custo-benefício foi desfavorável à integração de PIC ao cuidado de DME na ESF. Ainda que se considere a indicação das PIC para usuários com dor moderada a severa, e que o maior consumo de serviços demonstre adesão terapêutica, seria esperada a redução do consumo de analgésicos. Na literatura, as sessões de PIC devem ser semanais por semanas ou meses, cenário divergente da média encontrada em Florianópolis, onde 98% dos usuários atendidos com PIC receberam até 5 sessões em 2019. Conclusões/Considerações O baixo registro de sessões de PIC por usuário da ESF contribuiu na manutenção do consumo elevado de analgésicos pelos usuários com DME. Mais sessões de PIC ou a ampliação do público com DME indicado às PIC (dor leve) poderiam alterar o resultado. Espera-se que esse estudo possa colaborar na elaboração da linha de cuidado para DME na ESF, com a oferta regular de PIC, bem como instigar novas avaliações econômicas dentro do contexto brasileiro.
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