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Apresentação/Introdução A visão de mundo europeia silenciou as demais e impôs uma invisibilização das culturas africanas e às diversas formas de cuidado. O racismo instituiu barreiras de acesso às mulheres negras. Isso refletiu na invisibilidade dessas mulheres na enfermagem. Se trata de um reflexo da dominação branca nos espaços sociais de poder. Tal condição marginaliza experiências e saberes dessas mulheres. Objetivos Relatar os resultados da pesquisa acerca do cuidado decolonial na saúde mental pela perspectiva de enfermeiras negras. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa de abordagem sociopoética, realizada entre maio e setembro de 2023. Os dados foram produzidos com a participação de nove enfermeiras negras, constituindo, todas atuantes na área da saúde mental no estado do Rio de Janeiro. Por via de experimentações estéticas, com a confecção das abayomis ancestrais e do Xirê decolonial. A análise dos dados foi conduzida em consonância com o método analítico mulheril escrevivente, tendo sido validada pelas próprias participantes. Os dados foram categorizados pelo arquétipo dos orixás, sobre o cuidar afrorreferenciado. A pesquisa foi aprovada CEP. Resultados O racismo marcar profundamente a vida e formação das enfermeiras negras. No entanto, o cuidado delas realizado carrega uma potência ancestral e deve ser reconhecido como uma ferramenta de resistência decolonial. Com base na mitologia africana, se identificou 4 dimensões simbólicas do cuidado, cada uma associada a um orixá e interpretada a partir de uma leitura decolonial: Búzio (Exu), que representa a escuta e a comunicação; Espelho (Oxum), associado ao acolhimento; Espada (Ogum), relacionado à luta e à proteção; e Folha (Ossaim), ligado à cura e ao uso das ervas. As categorias evidenciam formas de cuidado que transcendem os modelos biomédicos tradicionais no campo da saúde mental. Conclusões/Considerações O cuidado decolonial se dá por uma transversalidade, compreende que o tempo é aliado na ressignificação do sofrimento psíquico e não apenas no abafamento sintomático como visto nas práticas coloniais. Essa definição não objetiva excluir as práticas conservadoras, mas pretende encontrar formas diversas que valorizam também outras culturas no lidar com as pessoas
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