COMO NÃO INCOMODAR, SEM ME INCOMODAR: ACESSIBILIDADE, CONVIVÊNCIA E RESISTÊNCIA DE UMA MÉDICA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA NO BRASIL

Vol 3, 2025 - 223085
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Resumo

Período de Realização Critica mecanismos sutis e explícitos de exclusão de PCD física na formação médica CORPO QUE INCOMODA Objeto da experiência COMO NÃO INCOMODAR, SEM ME INCOMODAR: ACESSIBILIDADE, CONVIVÊNCIA E RESISTÊNCIA DE UMA MÉDICA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA NO BRASIL Objetivos O CORPO INCOMODA Como não incomodar?desde o momento em que retornei ao ambiente acadêmico com uma deficiência física visível. Essa inquietação me levou a observar que a presença do corpo com deficiência. Muitas vezes, ele é lido como exceção, como obstáculo ou até como “desalinho” em relação à norma. Descrição da experiência um acidente automobilístico interrompeu minha trajetória na Odontologia a 6 meses da formatura. Três anos depois, com reabilitação retornei ao curso de Medicina, iniciado em 1996. Concluir foi possível, mas não sem enfrentar sucessivas barreiras estruturais, atitudinais e curriculares. A experiência de retorno marcada por uma ambivalência constante: ser acolhida como exceção ou ser descartada como incômoda. Repetiu na residência médica revelando não apenas um sistema exigente e falho. Resultados Atuação médica que respeitava minhas possibilidades e potencialidades. A experiência como médica da família ampliou a escuta, a empatia e o entendimento sobre como a deficiência me aproximava das vulnerabilidades do outro. Homeopatia outras formas. Tomei posse na PMC vivenciei na prática que o sistema ainda não está preparado para absorver as diversidades. Outubro de 2024, atuei como médica do trabalho no DPSS, possibilidades de atuação mais inclusiva e respeitosa às minhas necessidades surgiram. Aprendizado e análise crítica O incômodo gerado por corpos e mentes dissidentes revela o pacto de normalidade que sustenta muitas práticas institucionais. As “pequenas exclusões” são formas de dizer: “você pode estar aqui, desde que não nos dê trabalho”. Débora Diniz (2012), a deficiência é politicamente invisibilizada pela ausência de escuta. Fanon (2008) nos lembra que o corpo com deficiência, carrega o peso da alteridade radical: está sempre em tradução, tentando se adequar a uma linguagem que não foi feita para ele. Conclusões e/ou Recomendações EU TAMBÉM SOU NORMAL – SÓ QUE DE OUTRO JEITO “Como não incomodar, sem me incomodar?” A pergunta inicial se transforma em denúncia e em convite. Denúncia de uma sociedade que se diz inclusiva, mas não deseja se adaptar. Convite a construir práticas pedagógicas, institucionais e humanas que reconheçam que todo corpo tem direito de ocupar o espaço sem se diminuir para caber nele.

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Eixo Temático
  • Eixo 09 - Deficiência, Inclusão e Acessibilidade