COMER PARA PERMANECER: PRÁTICAS ALIMENTARES DE ESTUDANTES QUILOMBOLAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA BRASILEIRA

Vol 3, 2025 - 222033
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Resumo

Apresentação/Introdução As práticas alimentares referem-se desde aos processos de produção, distribuição, consumo e gestão de resíduos dos alimentos. Tais práticas remetem a um conjunto de representações que incorporam fatores coletivos e individuais envoltos nas diversas dimensões da vida. Este trabalho tem como foco as práticas de consumo, com ênfase no contexto universitário de estudantes quilombolas. Objetivos Descrever e analisar práticas alimentares de estudantes quilombolas de uma universidade pública brasileira, especialmente no que tange mudanças ligadas ao consumo de alimentos. Metodologia Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva, realizada com estudantes adultos, da Universidade Federal da Bahia. A coleta de dados foi feita entre outubro e novembro de 2024, por meio de questionário disponibilizado digitalmente, contendo perguntas abertas e fechadas, o qual também incluía perguntas referentes à Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Participaram do estudo quinze estudantes, majoritariamente mulheres (66,7%), com média de 25 anos, oriundas de 12 diferentes comunidades quilombolas da Bahia. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, no caso das informações quantitativas, e análise de conteúdo, no tratamento das respostas qualitativas. Resultados Após o ingresso na universidade, 86,7% passaram a realizar ao menos uma refeição por semana no Restaurante Universitário (RU), motivados pela vinculação à políticas de permanência ou pelo baixo custo. A maioria (73,3%) relatou pular refeições e diminuição no consumo de raízes e frutas, sendo que 40% não consumiam frutas diariamente, ingeriam fast foods aos finais de semana e substituíam refeições principais por lanches rápidos. Destaca-se que as experiências foram heterogêneas, com relatos de piora na quantidade e/ou na qualidade de alimentos consumidos, além da dificuldades em manter o consumo de alguns alimentos tradicionais. Sete participantes referiram melhora na alimentação. Conclusões/Considerações O RU se mostrou essencial para a permanência estudantil e promoção da segurança alimentar e nutricional. As mudanças nas práticas alimentares analisadas refletem possíveis limitações de tempo, renda e/ou rede apoio. Reforça-se a importância de potencializar políticas públicas promotoras de práticas alimentares saudáveis e culturalmente adequadas, considerando as especificidades dessa população no ambiente universitário.

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Eixo Temático
  • Eixo 02 - Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva