COLONIALIDADE DE GÊNERO E INSURGÊNCIAS DAS INDÍGENAS MULHERES: RUPTURAS E RETERRITORIALIZAÇÕES

Vol 3, 2025 - 220479
Comunicação Oral Curta
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Resumo

Apresentação/Introdução Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre os efeitos da colonialidade de gênero nos modos de ser, viver e resistir das indígenas mulheres, destacando como a lógica colonial desarticulou as formas originárias de organização social, espiritualidade e sexualidade. Assim, pensar saúde no contexto indígena exige reconhecer as interconexões entre corpo, território, ancestralidade e pertencimento.. Objetivos Analisar os impactos da colonialidade de gênero sobre os corpos das indígenas mulheres, bem como visibilizar suas insurgências políticas e epistemológicas na reconstrução de práticas ancestrais de cuidado, participação e existência. Metodologia A pesquisa adota a Revisão narrativa como abordagem metodológica a partir da busca de artigos, teses, dissertações e livros relacionados à temática. A reflexão teórica inclui autoras como Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, María Lugones, Rita Segato, Ochy Curiel e autoras indígenas como Eliane Potiguara, Fabíola Soares (Karipuna) e Aurora Baniwa. Resultados Os resultados revelam que a colonialidade de gênero operou uma ruptura profunda nas cosmologias, relações de cuidado e sistemas de organização social dos povos indígenas, impondo uma estrutura, patriarcal e hierarquizada. Isto trouxe a desarticulação de funções tradicionalmente exercidas pelas indígenas mulheres na espiritualidade, liderança comunitária e cuidados com a saúde. No entanto, evidencia-se uma tendência que mostra a reconstrução de práticas de reexistência por parte das indígenas mulheres e aponta a tessitura de insurgências femininas que, embora atravessadas por dores, violências e silenciamentos, são também expressão de força, cura e reconstrução coletiva. Conclusões/Considerações Conclui-se que as insurgências das indígenas mulheres questionam os efeitos históricos da colonialidade de gênero e ainda anunciam outras formas de existir. Pensar saúde no contexto indígena exige ir além do biomédico, é considerar as relações entre espiritualidade, território, cuidado e memória como dimensões fundamentais. O enfrentamento à colonialidade é um caminho de cura, conexão com o território e fortalecimento do vínculo comunitário.

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Eixo Temático
  • Eixo 16 - Gêneros, Sexualidades e Saúde