COBERTURA DA VACINA BCG E INDICADORES EPIDEMIOLÓGICOS DA TUBERCULOSE EM CRIANÇAS NAS REGIÕES DO BRASIL ENTRE 2013 E 2023: UM ESTUDO ECOLÓGICO

Vol 3, 2025 - 223466
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Resumo

Apresentação/Introdução A tuberculose em crianças é um indicador de vulnerabilidades sociais e sanitárias. Apesar da disponibilidade da vacina BCG, a doença persiste como desafio relevante no Brasil. Oscilações recentes na cobertura vacinal suscitam preocupações quanto à proteção de crianças frente às formas graves da doença. Objetivos Analisar a cobertura vacinal da BCG e os indicadores de incidência, internação e mortalidade por tuberculose em crianças menores de 10 anos nas cinco regiões brasileiras, entre 2013 e 2023. Metodologia Estudo ecológico, descritivo, com dados de tuberculose notificados em crianças menores de 10 anos no Brasil, entre 2013 e 2023. Os dados foram obtidos do SINAN, do SIH (internações), do SIM (mortalidade); os dados de cobertura vacinal foram obtidos do SI-PNI, a projeção da população do IBGE e a cobertura de planos de saúde da ANS. Calculou-se a cobertura vacinal de BCG e as taxas de incidência da doença, de internações e de mortalidade por tuberculose, por regiões do Brasil. As variações percentuais foram obtidas pela diferença relativa entre o primeiro e o último ano da série. As análises foram realizadas no Excel®, com organização dos resultados em tabelas, gráficos e mapas. Resultados Foram notificados 17.436 casos de tuberculose em crianças no período, a maior proporção no sexo masculino (56,5%), nas crianças de 1- 4 anos (38,1%) e 5-9 anos (34,5%) e raça/cor parda (48,4%). O percentual de cura foi de 70,9%, de abandono 8,1% e de óbito 1,9%. As regiões Sudeste (41,7%) e Nordeste (27,1%) concentraram a maioria dos casos. Entre 2013-2023, houve redução de 22% na cobertura vacinal por BCG no país. Nesse período, o Norte apresentou aumento de 110% na incidência e 307% na mortalidade, enquanto o Centro-Oeste registrou crescimento de 291% nas internações e de 290% na mortalidade. A região Sul ocupou o segundo lugar no aumento das internações (131%) e na mortalidade (292%). Conclusões/Considerações A tuberculose em crianças menores de 10 anos persiste como desafio no Brasil. A redução da cobertura vacinal da BCG e o aumento da incidência, internações e mortalidade por tuberculose infantil em algumas regiões revelam desigualdades e fragilidades na prevenção. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a imunização para a prevenção de casos graves e adotar ações intersetoriais que enfrentem as vulnerabilidades sociais associadas à doença.

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