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Apresentação/Introdução Os papeis de gênero, por meio de ideais maternalistas, impõem um modelo único de maternidade, marcando como desviantes as experiências de maternagem de mulheres que fazem uso de drogas. Esse estigma nega as capacidades e afetos dessas mulheres, apagando as maternidades possíveis e plurais que resistem e se constroem mesmo em contextos de vulnerabilidades e privação de direitos. Objetivos Refletir sobre maternidades possíveis em contextos de uso de drogas, vulnerabilidade e privação de direitos, a partir da escuta de mulheres que vivenciam essa realidade. Metodologia Este trabalho é desdobramento de uma pesquisa etnográfica intitulada “Itinerários dos cuidados com a saúde sexual e reprodutiva das mulheres que fazem uso abusivo de drogas: um estudo de caso na cidade do Recife”. As discussões aqui trazidas são fruto da articulação entre a observação participante e a análise hermenêutica de quatro entrevistas com mulheres acolhidas numa instituição de cuidado integral a pessoas em uso prejudicial de drogas e vulnerabilidade social, entre setembro de 2024 e maio de 2025. Resultados Mulheres que fazem uso de drogas são estigmatizadas, têm direitos violados e mais dificuldades no exercício pleno e autônomo da maternidade. Contudo, o dispositivo da maternidade atua como quadro normativo idealizado, atrelado às ideias de poder criar, estar junto, educar e conviver com filhos. Há um suposto fracasso reconhecido por elas nessa função, associado ao uso prejudicial de drogas e o medo de perder a guarda das crianças para o Estado. A participação da família extensa e/ou outros atores, geralmente composta por mulheres, no cuidado das crianças, evidencia outras formas de cuidar, sustentadas por uma rede que fortalece essas maternidades possíveis em contextos adversos. Conclusões/Considerações Numa ótica interseccional, a proteção de crianças deve associar-se também à produção de estratégias de cuidado com mães em vulnerabilidade. Essas mulheres enfrentam dificuldades no exercício do direito à maternidade, mas ao acessarem redes de apoio, constroem arranjos possíveis e legítimos, ainda que distantes de uma maternidade idealizada. Assim, o cuidado coletivo e antimanicomial surge como um caminho para a promoção de direitos fundamentais.
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