A VOZ DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE: PERCEPÇÕES SOBRE A ABORDAGEM DA COMUNIDADE DIANTE DO SOFRIMENTO PSÍQUICO

Vol 3, 2025 - 222651
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Resumo

Apresentação/Introdução O sofrimento psíquico tem se intensificado como demanda emergente na Estratégia de Saúde da Família, refletindo contextos de vulnerabilidade social, desigualdades estruturais e ausência de suporte psicossocial adequado. Nesse cenário, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) ocupam papel central na mediação entre os serviços de saúde e a comunidade para o cuidado em saúde mental. Objetivos Compreender as percepções dos Agentes Comunitários de Saúde acerca da forma como a comunidade aborda e reage diante de pessoas em sofrimento psíquico. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa. Os participantes da pesquisa foram dezoito agentes comunitários de saúde das sete unidades matriciadas da ESF com circunscrição na SER IV. A coleta de dados foi realizada por meio da observação e da entrevista individual, acompanhada de registros de áudio. Destaca-se a análise de um dos eixos temáticos do estudo: Abordagem da comunidade frente as pessoas em sofrimento psíquico, com três categorias empíricas: Rejeição; Preconceito e discriminação; Perda de identidade. Os dados foram processados conforme a proposta operativa da Análise de Conteúdo de Bardin. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética, com parecer de número 957.595. Resultados Destaca-se o discursos dos Agentes Comunitários de Saúde de como a comunidade percebe a pessoa em sofrimento psíquico e como esta se posiciona em relação às problemáticas do seu cotidiano. Os ACS, por estarem na comunidade, vivenciam e testemunham a forma como as pessoas lidam com o sofrimento psíquico. Alguns relatos apontam o sentimento de rejeição da comunidade: “Eu via o abandono da família, queriam se livrar.” O preconceito e o estigma são percebidos compartilhados nos relatos, destaca-se: “as pessoas discriminam muito quem tem problema mental, muitas delas vivem acuadas”. Constata-se também crise de identidade nos relatos: “elas já perdem até o nome, já são chamadas de doidas”. Conclusões/Considerações Dar visibilidade à percepção dos ACS sobre as reações da comunidade ao sofrimento psíquico permite uma reflexão crítica sobre a prática cotidiana na ESF, apontando para a necessidade de investimento em formação continuada, apoio matricial em saúde mental e políticas públicas que enfrentem o estigma e fortaleçam o cuidado em rede. Este estudo contribui para a valorização do conhecimento territorial dos ACS e para a construção de estratégias.

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  • Eixo 05 - Atenção Primaria em saúde