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Apresentação/Introdução O direito à saúde é frequentemente associado ao acesso a medicamentos. No entanto, a não recomendação ou o não fornecimento nem sempre representa sua violação. O caso do tratamento da obesidade em países latino-americanos mostra como decisões de incorporação de medicamentos são influenciadas por evidências científicas, segurança terapêutica, custo-efetividade e interesses econômicos. Objetivos Analisar as recomendações de uso de medicamentos para obesidade em países da América Latina e discutir como fatores técnicos, econômicos e políticos influenciam a garantia do direito à saúde de modo ampliado. Metodologia Trata-se de um relato de pesquisa com abordagem qualitativa e descritiva, baseada em análise documental das diretrizes clínicas, decisões regulatórias e políticas públicas de países latino-americanos sobre o uso de medicamentos para tratamento da obesidade. Foram examinados documentos oficiais e diretrizes nacionais, publicados nos últimos 10 anos, com foco na incorporação, prescrição e financiamento de fármacos como orlistate, sibutramina, liraglutida, naltrexona-bupropiona e combinações com fentermina. Os dados foram interpretados à luz do conceito ampliado de direito à saúde, considerando evidências científicas, segurança, impacto orçamentário e influência da indústria farmacêutica. Resultados Foram identificadas 5 diretrizes clínicas na América Latina. Brasil e Argentina não fazem recomendações sobre uso de fármacos. Colômbia e México autorizam o uso de fármacos, mesmo com histórico de retirada por eventos adversos graves. O Chile adota abordagem integrada - farmacoterapia como complemento às mudanças de estilo de vida. No Brasil, a Conitec não incorporou medicamentos ao SUS por baixa efetividade, riscos e impacto orçamentário. A análise mostra que a não oferta pública, quando baseada em critérios técnicos e proteção contra interesses econômicos, não configura violação do direito à saúde. Ressalta-se, no caso chileno, a participação de autores vinculados à indústria farmacêutica. Conclusões/Considerações A garantia do direito à saúde não se limita à oferta de medicamentos, mas ao uso racional com base em evidências. A recusa de incorporação pode proteger contra riscos clínicos e pressões econômicas. A forte atuação da indústria farmacêutica e seus interesses comerciais impõem desafios à gestão pública, especialmente quando há conflitos de interesse explícitos, como no documento do Chile, com autores ligados ao setor privado.
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