A RELAÇÃO COM A MORTE E A FINITUDE COMO FATOR DE RISCO PSICOSSOCIAL PARA AS CATEGORIAS DA ENFERMAGEM NO CONTEXTO HOSPITALAR

Vol 3, 2025 - 225209
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Resumo

Apresentação/Introdução Com a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) pela atualização da Norma Regulamentadora 01 (NR-01), a saúde mental equipara-se à física no campo da segurança ocupacional. Neste trabalho, consideramos a presença da morte e da finitude no cotidiano da atuação de profissionais da enfermagem hospitalar como fator de risco psicossocial para estes trabalhadores. Objetivos Analisar como a exposição à morte e à finitude na prática da enfermagem hospitalar se configura como fator de risco psicossocial, discutindo as implicações para a saúde mental e o cuidado destes trabalhadores. Metodologia Este relato de pesquisa qualitativa é resultado parcial do mestrado da autora principal no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Rio de Janeiro. Trata-se da articulação de revisão narrativa da literatura científica e relato de experiência. Primeiramente, realizou-se um levantamento bibliográfico sobre a morte e o morrer no contexto hospitalar e na atuação da equipe de enfermagem. Em seguida, este material foi analisado em diálogo com a vivência da autora principal como psicóloga no cuidado a estes profissionais, buscando compreender a configuração do fenômeno como risco psicossocial e suas implicações para o sofrimento psíquico do trabalhador Resultados Principalmente a partir do século XX, o hospital é um dos lugares onde é socialmente aceito que a morte se apresente, de outro modo, velada no campo social. A equipe de enfermagem hospitalar vivencia a morte e finitude de forma cotidiana e singular, considerando o vínculo específico que estabelecem com os pacientes, devido ao cuidado corpo-a-corpo. Revelou-se que esta exposição constante traduz-se na sensação de frustração e impotência, especialmente diante da impossibilidade de cura em alguns casos. Este cenário se manifesta na possibilidade de adoecimento psíquico e, por vezes, na manifestação de luto, configurando-se como um significativo risco psicossocial para estes trabalhadores. Conclusões/Considerações A partir da NR-01, o estudo considera a exposição à morte como risco psicossocial à enfermagem hospitalar, demandando ações institucionais de cuidado ocupacional. Recomenda-se a implementação de serviços de acolhimento em saúde mental, articulando o atendimento individual à dispositivos coletivos (rodas de conversa, grupos operativos, oficinas terapêuticas) para elaboração de vivência da finitude e do sofrimento psíquico no trabalho.

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