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Apresentação/Introdução A anemia, principal deficiência nutricional global (afetando 2,36 bilhões em 2015), tem alta prevalência em crianças e mulheres, especialmente em populações vulneráveis. Em indígenas, agrava-se por desigualdades e iniquidades sociais. Este estudo analisa a anemia em crianças Guarani Kaiowá de MS, visando subsidiar políticas intersetoriais em saúde indígena. Objetivos Estimar a prevalência de anemia entre crianças indígenas, analisando os fatores demográficos e socioeconômicos associados em crianças indígenas em Mato Grosso do Sul. Metodologia Estudo transversal com base em uma coorte prospectiva de crianças indígenas, filhas de mulheres que participaram da pesquisa Avaliação do pré-natal e parto. Participaram da pesquisa 229 crianças de um ano de idade residentes em dez territórios indígenas e nas comunidades urbanas de Mato Grosso do Sul, entre janeiro e agosto de 2023. Para a dosagem sanguínea de hemoglobina das crianças, coletou-se uma gota de sangue capilar através de uma perfuração cutânea feita por uma lanceta, e essa gota foi analisada em hemoglobinômetro portátil. As crianças com níveis de hemoglobina < 11 g/dL foram consideradas anêmicas. Na entrevista foram coletados dados de etnia e aldeia/município de residência. Resultados A média de hemoglobina foi de 10,26g/dL (8,7-11,82) e a prevalência de anemia foi de 66% (n=149). A maioria das crianças do estudo é da etnia Guarani Kaiowá 69% (n=158), sendo esta etnia com o maior percentual de casos de anemia 47,6% (n=109). As aldeias pertencentes ao município de Dourados possuem o maior número de crianças do estudo, 36,2% (n=83). No entanto, o maior percentual de crianças com anemia foi encontrado em Amambai (23,6%). Conclusões/Considerações A elevada prevalência de anemia nas crianças indígenas e a sua ocorrência em aldeias onde vivem o povo Guarani e Kaiowá sinalizam para vulnerabilidades de vida e de saúde das crianças indígenas de Mato Grosso do Sul. Os resultados demonstram a necessidade de ações intersetoriais para o acompanhamento do estado nutricional das crianças indígenas do estado do Mato Grosso do Sul, principalmente as crianças da etnia Guarani e Kaiowá.
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