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Apresentação/Introdução A Rede Cegonha foi instituída como estratégia para garantir atenção integral e humanizada à saúde materno-infantil. Em Mato Grosso, sua implementação se deu em um contexto de desigualdades regionais, desafios na organização da RAS e limitações estruturais. A pesquisa analisa o percurso dessa política pública no estado, em diálogo com seus indicadores. Objetivos Descrever o processo de implementação da Rede Cegonha em Mato Grosso entre 2012 e 2022, analisando políticas institucionais e a evolução dos indicadores de saúde materno-infantil nas regiões de saúde do estado. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e documental, baseada em dados secundários oriundos dos sistemas SIM, SINASC, CNES e documentos normativos federais e estaduais. A análise envolveu a classificação de atos normativos conforme as fases de implantação da Rede Cegonha e a mensuração de indicadores de morbimortalidade, assistência e capacidade instalada em todas as regiões de saúde de Mato Grosso, entre 2012 e 2022. Os dados foram organizados em planilhas, categorizados e analisados conforme diretrizes metodológicas da análise documental e da análise qualitativa em saúde coletiva. Resultados Apenas 54 municípios aderiram formalmente à Rede Cegonha. Observou-se baixa cobertura de UTIs neonatais (presentes em apenas 18,75% das regiões), elevada taxa de cesárea em determinadas regiões (superior a 85%), e desigualdades no acesso aos serviços e na oferta de cuidados. A mortalidade materna e infantil apresentou tendência de redução em algumas regiões, mas ainda permanece elevada em relação às metas da portaria federal. A análise revela que a estruturação regional da rede segue fragilizada, comprometendo a integralidade e a equidade do cuidado materno-infantil. Conclusões/Considerações A pesquisa evidenciou avanços parciais na implementação da Rede Cegonha em Mato Grosso, com melhorias pontuais em indicadores de saúde. Contudo, persistem barreiras estruturais e regionais que dificultam a consolidação da Rede como política efetiva. São necessários investimentos, fortalecimento da regionalização e articulação entre níveis de gestão para garantir o acesso equânime, oportuno e humanizado à saúde materno-infantil no estado.
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