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O estudo apresenta os resultados da validação estatística da Matriz Avaliativa do Vínculo Longitudinal (MAVIL), que se concretiza em um conjunto de 12 critérios, 20 indicadores e respectivas questões e itens de verificação, aplicável a uma amostra de pacientes portadora de determinada condição traçadora da atenção. Questões e itens encontram-se divididos em dois roteiros: um para inquérito com o paciente e outro para revisão do prontuário. A MAVIL estrutura-se a partir das três dimensões (D) do conceito de vínculo longitudinal: D1- Reconhecimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) como fonte regular de cuidados, D2 - Relação interpessoal profissional/paciente e D3 - Continuidade da Informação. O método consistiu na aplicação MAVIL em duas UBS de um território de saúde nas seguintes etapas: desenho da amostra, escolha da métrica, análise descritiva dos dados e teste comparativo de médias. Como resultados: a amostra por estrato, junto à opção da soma dos pontos dos itens da MAVIL possibilitou descrever o perfil de vínculo para o território, UBS A e B. Para verificar a capacidade da MAVIL em captar diferença no perfil de vínculo testou-se a hipótese da normalidade, que foi rejeitada. Então, optou-se pelo teste não paramétrico para a comparação. Para D1 e D2 constatou-se a semelhança de perfil, contudo para D3 houve diferença significativa, atestando a sensibilidade da MAVIL.
Consonante com o processo de institucionalização da avaliação da Atenção Primária (AP) no SUS desenvolveu-se a Matriz Avaliativa do Vínculo Longitudinal (MAVIL), com o propósito de um instrumental simples e conciso. A MAVIL pauta-se no conceito de vínculo longitudinal (VL), compreendido como ‘relação duradoura entre paciente e profissionais da equipe de AP, que se traduz na utilização da Unidade Básica de Saúde (UBS) como fonte regular de cuidados ao longo do tempo para os vários episódios de doença e para os cuidados preventivos. Três dimensões (D) compõe o conceito de VL: D1- Reconhecimento da equipe de saúde e da UBS como fonte regular de cuidados, D2 - Relação interpessoal profissional/paciente, e D3 - Continuidade da Informação. Sustentada pelo conceito e dimensões do VL, a MAVIL consiste em um conjunto 12 critérios e 20 indicadores cuja verificação é possibilitada a partir de dois instrumentos de coleta de dados: um questionário com vinte questões referentes aos indicadores das dimensões 1 e 2, para entrevista com o paciente; e um formulário com 23 itens de verificação referentes aos indicadores da dimensão 3, para revisão do prontuário do paciente entrevistado.
O presente estudo apresenta a validação estatística da aplicação MAVIL a fim de respaldar as futuras aplicações. Assim, tem por objetivos: 1) descrever o tratamento estatístico dos dados obtidos com a aplicação da MAVIL em duas UBS de um território de saúde; 2) realizar análises estatísticas comparativas, a fim de averiguar a sensibilidade do instrumento para captar diferenças no vínculo entre UBS.
O campo de estudo: um território de saúde de baixo IDH, mas com alta cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) e com equipes implantadas há mais de dois anos, pressupondo que tais características são favoráveis ao estabelecimento do vínculo. A atenção aos portadores de Hipertensão Arterial e/ou de Diabetes Mellitus compreendida como condição traçadora. Como desenho, optou-se pela amostra por estrato em três recortes: território, UBS A e UBS B, estabelecendo ainda os critérios: maior de dezoito anos e tempo superior há dois anos de cadastro na UBS. Foram 201 entrevistados e, consequentemente, 201 prontuários revisados: 102 da UBS A e 99 da UBS B. As entrevistas ocorreram na UBS. Em seguida deu-se a escolha da soma como métrica para pontuação dos itens da MAVIL, a análise descritiva dos dados e o teste comparativo de médias, através da aplicação do teste de normalidade e de estatística não paramétrica. Resultados e Discussão A amostra por estrato possibilitou descrever o perfil do VL para os três recortes: território, UBS A e UBS B. A partir da soma como métrica, cada paciente poderia alcançar 315 pontos: D1: 35; D2: 150; D3: 130. O máximo de pontos possível para o território: 63.315 pontos, 32.130 para a UBS A e 31.185 para a B. Em relação às dimensões: D1, 7.035 pontos; D2, 30.150; D3, 26.130. O alcance do MAVIL para o território foi de 51,3%. Os resultados do desempenho para as dimensões: D1:74%, média de 25,9 e desvio padrão de 7,48 gerando um coeficiente de variação de 0,29; D2 52,6%, média de 78,9, desvio padrão de 44,95, coeficiente de variação de 0,57; D3 43,7%, média de 56,75, desvio padrão de 19,4 com coeficiente de variação de 0,34. A UBS A alcançou 50,2%, com variação de 26 a 258,5 e mediana de 166,8; a B alcançou 52,3% com variação de 33 a 257,5 e mediana de 166. A UBS B obteve melhor desempenho nas dimensões 1 e 3. A partir do teste de Kolmogorov-Smirnov a hipótese da normalidade dos dados foi rejeitada. Com a aplicação do teste não paramétrico de Wilcoxon constatou-se a semelhança de perfil para D1 e D2, contudo para D3 houve diferença significativa, atestando a sensibilidade da MAVIL.
Institucionalizar a avaliação na AP é incorporá-la como atividade regular da gestão dos municípios. Disponibilizar um instrumento avaliativo conciso, simples na sua aplicação e na compreensão dos resultados, constitui-se em importante contribuição para a Política em questão. A MAVIL, da forma como está estruturada, detalhada em dimensões, critérios e indicadores, possibilita ao gestor ou gerente identificar locais e processos que podem se constituir em fragilidades na construção do vínculo terapêutico, e assim, intervir de forma educativa e colaborativa. As análises estatísticas realizadas e permitem afirmar a validade dos resultados e respaldam as futuras aplicações da MAVIL.
Felisberto E. Da teoria à formulação de uma Política Nacional de Avaliação em Saúde: reabrindo o debate. Cien e Saude Colet. 2006; 11(3):553-63 Cunha EM, Giovanella L. Longitudinalidade/continuidade do cuidado: identificando dimensões e variáveis para a avaliação da Atenção Primária no contexto do sistema público de saúde brasileiro. Cien e Saude Colet. 2011;16 Supl. 1:1029-1042. Cunha EM, Andrade GRB, Oliveira CCM, Marques MC, Vargens JMC, O’Dwyer G. Matriz Avaliativa do Vínculo Longitudinal na Atenção Primária: processo de validação por especialistas. Cad. saúde colet. 2017; 25( 2 ): 249-258. Rubio M, Berg-Weger M, Tebb SS, Lee ES, Rauch S. Objectifying content validity: Conducting a content validity study in social work research. Social Work Research 2003; 27 (2): 94-104. Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 3.222/GM/MS, 10 de dezembro de 2019.
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