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Os processos de trabalho da sociedade capitalista nos últimos anos foram marcados pela especialização das atividades. O sistema de saúde também seguiu esta conjuntura. Portanto, a formação de profissionais e sua atuação são reflexos da identificação com áreas específicas. Como forma de superar essa atuação biomédica centrada, novos planejamentos em saúde foram adotados. Neste cenário e na vivência da saúde como bem estar biopsicosocial, surge a educação interprofissional. Nesta perspectiva, o Programa de Educação pelo Trabalho - PET - através do Grupo de Trabalho de Barreiras - se debruçou sobre esta temática. A proposta foi incentivar o desenvolvimento de habilidades interpessoais para melhoria dos processos de trabalho e das relações interprofissionais. A metodologia utilizada foi baseada em processos ativos de aprendizagem através de oficinas com questionamentos sobre multidisciplinaridade, transdisciplinaridade e interprofissionalidade, para um processo de transformação recíproca e estímulo de práticas colaborativas. As discussões, por fim, permitiram a construção de espaços de troca de saberes e criação de vínculos, possibilitando a elaboração de estratégias de superação das barreiras encontradas para ações colaborativas e interprofissionais no enfrentamento das questões prioritárias da saúde da população
Os processos de trabalho no capitalismo, marcados pela ultraespecialização impactaram no trabalho em saúde, com a formação em saúde e a atuação dos profissionais de saúde mais direcionadas às identidades específicas, com consequente distanciamento no diálogo e no fazer entre os diferentes saberes profissionais, gerando consequências negativas na integralidade do cuidado aos usuários do SUS. Na atualidade, a formação em saúde vem buscando superar o modelo biomédico, substituindo-o por outra forma de compreensão do processo de saúde e doença, conceitos construídos no âmbito social e na proposição de saberes compartilhados. Assim, a educação interprofissional apresenta-se como um componente importante para uma melhor atuação em equipe, por se basear na perspectiva da comunicação em equipe e nas práticas colaborativas para propiciar uma maior capacidade resolutiva dos serviços, além de uma melhor qualidade na atenção à saúde. Este trabalho apresenta a experiência do Projeto PET Saúde Interprofissionalidade em uma Unidade de Saúde da Família do município de Salvador em parceria com a Universidade do Estado da Bahia e suas implicações nas práticas de saúde.
Este trabalho buscou incentivar o desenvolvimento de habilidades interpessoais para melhoria dos processos de trabalho e das relações interprofissionais em uma Unidade de Saúde da Família (USF) do município de Salvador, bem como promover a realização de práticas colaborativas entre os profissionais
Relato de experiência do Projeto PET Saúde Interprofissionalidade do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade do Estado da Bahia e a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, realizado entre abril de 2019 a março de 2020, em USF selecionadas. O grupo de trabalho está formado por profissionais de saúde da USF, e docentes e discentes da UNEB, numa perspectiva interprofissional. Foram realizadas 06 Oficinas, baseadas em metodologias ativas, com discussão de conceitos utilizados pelos profissionais em suas práticas, com questionamentos sobre multidisciplinaridade, transdisciplinaridade e interprofissionalidade, para um processo ativo de transformação recíproca e estímulo de práticas colaborativas e interprofissionais. As Oficinas, conduzidas pelos discentes vinculados ao projeto, se dirigiram aos agentes comunitários de saúde, auxiliares administrativos, enfermeiros, médicos, dentistas, assistente de saúde bucal e do gestor da USF, totalizando 20 participantes. Resultados e Discussão Os espaços das Oficinas se colocaram como estratégia de troca de saberes para a promoção do diálogo e encontro dos diversos saberes dos profissionais. As Oficinas permitiram reflexões sobre as práticas interprofissionais e como estas tem sido feitas pelos diferentes saberes profissionais. As discussões proporcionadas permitiram o levantamento e produção de estratégias de enfrentamento dos problemas de saúde da população, bem como para melhorar a relação interpessoal dos profissionais envolvidos potencializando, a capacidade de trabalho destes. Novas habilidades colaborativas foram trabalhadas e executadas, em um processo dialético, os trabalhadores iam incorporando essas habilidades promovendo um novo fazer em saúde. Foram observados melhoria na atenção ao trabalho do colega, novas formas de lidar com situações estressoras e na capacidade de solucionar conflitos. Essas habilidades, permitiram melhor gestão dos conflitos, mais facilidade de trabalhar em equipe, melhor capacidade de resposta frente as demandas levantadas pelos usuários e gerou benefícios tanto no âmbito das relações interpessoais, quanto melhor capacidade de enfrentamento às demandas levantadas pelos usuários.
O PET Saúde Interprofissionalidade vem trabalhando no sentido de acolher as problemáticas em saúde, inclusive a dos trabalhadores de saúde para entender essa dinâmica do processo de trabalho interprofissional. Categorias diferentes, com formações distintas se traduzem num nó crítico para o trabalho em saúde se permanecerem atuando apenas considerando suas identidades e saberes profissionais específicos. Constituir espaços de reflexão e troca de saberes possibilitam a criação de vínculos, a redução de barreiras e a possibilidade de pensar estratégias mais colaborativas e interprofissionais para o enfrentamento das questões prioritárias da saúde da população.
MERLO, Álvaro Roberto Crespo and LAPIS, Naira Lima. A saúde e os processos de trabalho no capitalismo: reflexões na interface da psicodinâmica do trabalho e da sociologia do trabalho. Psicol. Soc. [online]. 2007, vol.19, n.1, pp.61-68. DE MARCO, Mario Alfredo. Do modelo biomédico ao modelo biopsicossocial: um projeto de educação permanente. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 30, n. 1, p. 60-72, 2006. PEDUZZI, Marina et al. Educação interprofissional: formação de profissionais de saúde para o trabalho em equipe com foco nos usuários. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 47, n. 4, p. 977-983, 2013. Scott Reeves, Hugh Barr, PhD. Twelvestepstoevaluatinginterprofessionaleducation. JournalofTaibahUniversity Medical Sciences. Vol 11, Iss 6, Dec 2016, Pages 601-60
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