TRABALHO EM EQUIPE EFETIVO NA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS E DOS PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.

Vol.1 - 2021 - 136488
Comunicação Oral
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Resumo

Resumo

A literatura aponta que o trabalho em equipe precisa ser efetivo na qualidade da atenção à saúde e para os profissionais. Estudo com objetivo de analisar as relações entre clima de equipe, satisfação no trabalho e percepção dos usuários sobre os atributos da APS em equipes da Estratégia Saúde da Família com Saúde Bucal (ESF com SB). Pesquisa quantitativa no município de São Paulo com amostra sorteada de 150 equipes e 10 usuários sorteados para cada uma. Aplicadas escalas de Clima de Trabalho em Equipe, Satisfação no Trabalho e PCATool versão usuário adulto reduzida. Análise estatística descritiva e analítica, de agrupamento e associações entre variáveis. Amostra de 124 equipes e 1231 profissionais da ESF com SB mostrou associação entre agrupamento de equipes com maior satisfação no trabalho e agrupamento de equipes com melhor clima. Na amostra de 871 usuários adscritos à 119 equipes estudadas o escore do PCATool apresentou valor acima de 6,6 indicando orientação à APS. A média do escore da percepção dos usuários que referiram afiliação a dois ou mais profissionais, interpretada como vínculo à equipe, foi superior a dos demais que apontaram vínculo com um profissional ou com a UBS. Conclui-se que o clima favorável ao trabalho em equipe contribui para satisfação no trabalho e que os usuários que referiram afiliação à equipe têm melhor percepção dos atributos da APS.

Introdução

Trabalho em equipe constitui diretriz da Atenção Primária a Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde para abordagem integral e contextualizada das necessidades de saúde de usuários, famílias e comunidade nos territórios. As equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) são responsáveis pela atenção a saúde às famílias adscritas com as quais estabelecem vínculos que lhes permitem reconhecer as necessidades de cada família e dos grupos sociais da área. Equipes integradas expressam a dinâmica de trabalho e de interação entre os profissionais que definem de forma compartilhada objetivos comuns com base no perfil das famílias e da população e planos de cuidado pertinentes as necessidades com interdependência e corresponsabilidade (Peduzzi et al, 2020; Reeves et al, 2018). Equipes são dinâmicas e é preciso identificar suas diferenças para apoia-las por meio de educação permanente e de ações de gestão para que sejam efetivas em duas direções: na qualidade da atenção à saúde e para os profissionais. Trabalho em equipe pode ser investigado através dos construtos clima de equipe, satisfação no trabalho e percepção do usuário sobre os atributos da APS na equipes a qual está adscrito.

Objetivos

Analisar as relações entre clima de equipe, satisfação no trabalho e percepção dos usuários sobre os atributos da APS em equipes da ESF com Saúde Bucal no município de São Paulo.

Metodologia

Pesquisa quantitativa em duas etapas: estudo da associação entre clima de equipe e satisfação no trabalho das equipes e associação entre percepção dos usuários sobre atributos da APS e sua afiliação a um profissional ou a equipe. Estimou-se amostra sorteada de 150 equipes de ESF com SB com sorteio de 10 usuários de cada equipe. Aplicadas duas escalas: Clima de Trabalho em Equipe (participação na equipe, apoio para ideias novas, objetivos da equipe e orientação para as tarefa), Satisfação no Trabalho (satisfação com relações hierárquicas, satisfação intrínseca no trabalho e com ambiente físico) e PCATool versão usuário adulto reduzida. Coleta de dados com equipes de 03/01/2018 a 10/12/2018 e com usuários de 29/10/2018 a 15/07/2019. Análise estatística descritiva, médias de escores dos profissionais de equipes, análise de agrupamentos de clima e satisfação no trabalho e análise de variância na comparação dos escores de PCATool por afiliação à equipe ou a um profissional. Resultados e Discussão Amostra de 124 equipes e 1231 profissionais da ESF com SB distribuídos entre 42,2% agentes comunitários de saúde, 14,4 auxiliares/técnicos de enfermagem, 13,1% auxiliares de saúde bucal, 10,1% dentistas e enfermeiros e 10,2% médicos. Identificaram-se quatro agrupamentos de equipes segundo clima e cinco agrupamentos segundo satisfação no trabalho. Verificou-se associação entre agrupamento de equipes com maior satisfação no trabalho e agrupamento de equipes com clima mais favorável ao trabalho em equipe (p

Conclusões / Considerações finais

A pesquisa mostrou que no município de São Paulo as equipes de ESF com SB com clima mais favorável ao trabalho em equipe integrado reúnem profissionais com maior satisfação no trabalho. Isso evidencia que o trabalho em equipe efetivo contribui para os profissionais se sentirem mais satisfeitos com o sentido e o ambiente físico do trabalho e com as relações hierárquicas. Os resultado também mostram que os usuários das equipes estudadas tem a percepção de uma forte orientação à APS e que a média do escore da percepção dos usuários que referiram afiliação a dois ou mais profissionais, como apontado acima interpretada como vínculo com a equipe, foi superior a dos demais. Ou seja, os usuários vinculados a equipe têm a percepção de melhor atendimento, visto que os atributos remetem as boas práticas de APS. As equipes fazem diferença na percepção do atendimento da ótica dos usuários.

Referências

Harzheim E, Gonçalves MR, DÁvila OP, Hauser L, Pinto LF. Estudos do PCATool no Brasil. In: Mendonça MHM, Matta GC, Gondim R, Giovanella L. (organizadores) Atenção Primária a Saúde no Brasil: conceitos práticas e pesquisa. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2018. Cap. 17, ). 493-525. Peduzzi M, Agreli HLF, Silva JAM, Souza HS. Trabalho em equipe: uma revisita ao conceito e a seus desdobramentos no trabalho interprofissional. Trab. Educ. Saúde 2020;18(s1):e0024678. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sol00246 Reeves S, Xyrichis A, Zwarenstein M. Teamwork, collaboration, coordination, and networking: Why we need to distinguish between different types of interprofessional practice, Journal of Interprofessional Care 2018; 32(1);1-3, DOI: 10.1080/13561820.2017.1400150

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde