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A pandemia do COVID-19 trouxe aos familiares das crianças com Síndrome da Zika Congênita e profissionais de saúde, incertezas relacionadas à continuidade do tratamento e principalmente o medo de contrair o novo vírus. A Telessaúde com ampla efetividade possibilita a unificação das redes assistenciais através da oferta de teleconsultas viabilizadas pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s). No Brasil, a teleconsulta foi autorizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e sustentada pela Portaria Nº 467/2020 do Ministério da Saúde em caráter excepcional e temporário, visando garantir a continuidade assistencial e a redução da exposição da população mediante à necessidade do isolamento social. O Núcleo de Telessaúde de Pernambuco (NET), o Núcleo de Apoio às Famílias das Crianças com a Síndrome da Zika Congênita (NAFZ) e a Coordenação de Saúde da Pessoa com Deficiência (CASPD) da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), implantaram as teleconsultas para as crianças assistidas pelas políticas de atenção à saúde da pessoa com deficiência e doenças raras. Ao todo, foram realizadas cerca de 10.000 teleconsultas pelas equipes médicas e multiprofissionais. Nas pesquisas de satisfação respondidas, a maioria dos usuários qualificou as teleconsultas com nota dez. Visualizamos novos desafios para viabilidade e manutenção destes serviços no âmbito do SUS.
A infecção pelo vírus Zika em fetos pode ocasionar um espectro clínico que varia de manifestações leves a graves com complicações neurológicas. Em Pernambuco, foram confirmadas 470 crianças com a SZC (Semana Epidemiológica 31/2020) e que necessitam de assistência multiprofissional e contínua. A rede de saúde no estado foi organizada de modo que, cada criança tenha serviços de referência próximos aos seus municípios de residência, assegurando que as complicações crônicas sejam cuidadas pelas equipes da rede especializada. A pandemia trouxe aos familiares e profissionais de saúde incertezas mediante a interrupção do tratamento e do bom prognóstico e desafiou a gestão a elaborar estratégias para o cuidado, de modo a manter as crianças e familiares em segurança. Desta forma, foi necessário elaborar soluções rápidas e efetivas para garantir a continuidade do tratamento, visando o não agravamento das complicações clínicas preexistentes. Neste contexto, a Telessaúde estrategicamente possibilita a continuidade assistencial através da oferta de teleconsultas, em que profissionais realizam à distância consultas para fins de orientação, apoio diagnóstico e terapêutico.
Descrever a experiência do Núcleo Estadual de Telessaúde, do Núcleo de Apoio às Famílias de Crianças com a Síndrome da Zika Congênita e da Coordenação da Política da Pessoa com Deficiência da SES-PE na implantação do serviço de Teleconsulta no contexto do COVID-19 no período de Março a Setembro de 2020; Relatar a integração da rede de cuidados para atendimento às crianças com a Síndrome Congênita do Zika por meio de teleconsulta.
As atividades foram desenvolvidas no período de Março a Setembro de 2020 pelas equipes do NET/SES-PE, NAFZ e CASPD da SES-PE. A implantação se deu no Centro Rarus, Centros Especializados em Reabilitação (CER), Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAE) e hospitais. O público alvo foi às crianças com a Síndrome da Zika Congênita acompanhadas nestes serviços de referência. Foi desenvolvida para este fim, uma ferramenta com vídeo chamada e prontuário eletrônico, adequada para garantir o cumprimento das normativas legais relacionadas à oferta de Teleconsulta no Brasil. Durante a implantação foi desenvolvido um processo de monitoramento e avaliação do serviço de teleconsulta, que inclui um sistema automatizado para acompanhamento dos indicadores gerados pelo serviço e pesquisa de satisfação do usuário. Ressalta-se que o processo de implantação foi desenvolvido excepcionalmente de forma remota obedecendo às normas de isolamento social mediante a pandemia. Resultados e Discussão Como resultado foi estruturado o fluxo do serviço de teleconsulta, a integração com a rede assistencial e o treinamento para os profissionais. A teleconsulta foi implantada em 13 equipamentos de saúde. Na adequação dos equipamentos de saúde foram estabelecidos requisitos tecnológicos mínimos, ajustes na rede de internet local e instalação de computadores e webcam. Após a implantação do serviço receberam atendimento nesta modalidade outros pacientes com diferentes patologias. Até o período analisado, foram treinados 266 profissionais de saúde e realizadas cerca de 10 mil teleconsultas. Foram respondidos 1362 questionários de avaliação de satisfação onde os pacientes ou responsáveis julgaram as teleconsultas através de notas. 55,9% dos pacientes julgaram com nota dez, 19,6% com nota nove e 24,7% com nota oito. Não foram identificadas notas abaixo de cinco. Apesar dos resultados publicados serem insuficientes acerca do uso da telemedicina no Brasil observa-se que os resultados encontrados nesta experiência poderão contribuir para a construção de evidências relacionadas ao uso da teleconsulta como serviço complementar na assistência prestada em especial aos pacientes crônicos.
Considera-se que a utilização da teleconsulta para o acompanhamento em saúde, diante do desafio de prestar assistência em meio a pandemia, possibilitou novas práticas para promoção de saúde e bem estar da população. O impacto assistencial às famílias e crianças no decorrer do processo, demonstrou que esta modalidade de atendimento no período pós-pandemia, como forma complementar, fortalece a assistência no âmbito do SUS, por promover o rompimento das barreiras geográficas iniciada por uma crise de saúde pública mundial. O desenvolvimento deste trabalho contribuiu para o início da estruturação de uma futura rede de suporte às famílias e crianças com a SZC. Visualizamos novos desafios sociais, culturais, econômicos e educacionais para viabilidade e manutenção deste serviços no âmbito do SUS.
CATAPAN, S. C.; CALVO, M. C. M; TELECONSULTA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA INTERAÇÃO MÉDICO-PACIENTE MEDIADA PELA TECNOLOGIA. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA. SC, 2020. ARAÚJO, J. S. S; O IMPACTO DE UMA REDE DE TELEMEDICINA NO ENFRENTAMENTO DA MICROCEFALIA NO ESTADO DA PARAÍBA. 2016. TESE (DOUTORADO EM BIOLOGIA APLICADA À SAÚDE). UFPE. PE. 2016 BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. GABINETE DO MINISTRO. PORTARIA Nº 467, DE 20 DE MARÇO DE 2020. DISPÕE DA ASSISTÊNCIA MÉDICA PELAS FERRAMENTAS DE TELEMEDICINA E TELESSAÚDE.. DOU. 26 MAR 2020; SEÇÃO: 1. DF. 2020 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. RECONHECE A ETICIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TELEMEDICINA. OFÍCIO CFM Nº 1756/2020. 2020; FARIA, G; TELEMEDICINA E TELECONSULTA: AVANÇO OU RETROCESSO? UMA BREVE RETROSPECTIVA DOS FATOS. DISPONÍVEL EM: . ACESSO EM 29 SET 2020.
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