PROGRAMA MESTRES DA MUDANÇA: COMPARTILHANDO PRÁTICAS INOVADORAS

Vol.1 - 2021 - 137127
Apresentação Curta Assíncrona
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Resumo

Este relato de experiência discorre sobre o Programa Mestres da Mudança (PMM) que objetiva estimular e divulgar práticas educativas inovadoras que alcancem bons resultados e valorizem o protagonismo das equipes de trabalho no desenvolvimento da aprendizagem significativa, promovendo maior interação entre os trabalhadores. Utiliza a metodologia das rodas de conversa como instrumento de compartilhamento de experiências provenientes das ações educativas realizadas com intuito de promover e evidenciar práticas produzidas no cotidiano que alcançaram êxito e sejam aplicáveis a outras realidades. Como resultado das ações do programa observou-se melhor integração e engajamento dos trabalhadores, redução de acidentes de trabalho e custos relacionados a pagamentos de saldo de horas. Conclui-se que o PMM contribui para ressignificar o modelo de educação tradicional nas instituições de saúde e tem atingindo o seu propósito por meio do engajamento das pessoas e criatividade nas ações desenvolvidas.

Introdução

A Educação Permanente (EP) se fundamenta no aprender e ensinar incorporados ao cotidiano e ao fazer dos profissionais. É comprometida com o coletivo e estimula práticas que promovem a aprendizagem significativa. Não depende de organogramas institucionais, acontecendo no agir do trabalho vivo, no ato de um e de todos, uma vez que os trabalhadores fabricam o saber por meio de suas ações. No contexto da saúde, no que tange à educação, deve-se considerar a dinâmica do serviço e as necessidades dos trabalhadores. Este é um segmento crítico por natureza – cuidar de pessoas – e sensível a erros que podem provocar eventos adversos. Destaca-se, portanto, a necessidade de uma equipe altamente qualificada. Nessa linha, está o Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN), cenário onde foi desenvolvido o Programa Mestres da Mudança (PMM). Por meio do trabalho realizado pela Equipe de Educação Permanente em Saúde (EEPS) da instituição constatou-se que os setores desenvolvem práticas de EP, porém não as divulgam. Para que outras conheçam e apliquem essas práticas, criou-se o PMM que se configura como uma rede de conhecimento e cooperação mútua que busca estimular o trabalho em equipe e a comunicação.

Objetivos

O PMM foi criado em 2019 e tem como objetivos: identificar ações educativas criativas e inovadoras e que alcancem bons resultados dentro da instituição; estimular práticas educativas realizadas pelos setores e equipes; valorizar o protagonismo setorial no desenvolvimento da aprendizagem significativa, promovendo maior interação entre as equipes.

Metodologia

O PMM consiste no compartilhamento de experiências provenientes das ações educativas realizadas. São apresentados, pelos criadores da ação a demanda motivadora, os objetivos, a metodologia e os resultados. Após a exposição, inicia-se a roda de conversa, em que os participantes colocam suas opiniões e discutem as possibilidades de capilarização da atividade. Para que a ação educativa seja apresentada no PMM, ela deverá ser inovadora, obter resultados positivos, possibilitar sua replicação para as demais equipes do hospital, gerar aprendizagem significativa e desenvolver o protagonismo e a autonomia da equipe, promovendo a troca de conhecimentos de forma horizontal. A captação de ações ocorre de duas maneiras: 1. O setor que realizou a prática educativa aciona a EEPS e compartilha a ação real, sendo avaliado pela equipe se a atividade atende aos critérios do programa; 2. A EEPS avalia as ações durante as reuniões de planejamento e observa se estas se enquadram nos critérios do programa. Resultados e Discussão As ações que integram o PMM repercutiram positivamente. A exemplo tem-se a ação educativa construída por um técnico de enfermagem (TE) que diante do número elevado de acidentes com perfurocortantes, abordou o uso correto dos dispositivos de segurança. Por meio de exposição prática de curta duração obteve-se como desfecho a redução de acidentes de 6 em abril para 0 em maio/2019. Evidencia-se o protagonismo a partir de um problema cotidiano. Ações educativas que possuem TE como instrutor não são comuns, o que revela movimentos de mudança, a partir de relatos dos trabalhadores que se sentiram a vontade para tratar o assunto com alguém do mesmo nível hierárquico. Essa prática possibilitou a formação de TE multiplicadores que capilarizaram essa ação para outras equipes. Outro exemplo foi a criação de um jogo com o objetivo de pactuar e esclarecer condutas relacionadas à gestão de pessoas. Como resultado destacou-se maior interesse pelas capacitações e sugestões de melhoria dos processos, além da queda nos valores pagos referente a saldo de horas de R$1228 em outubro para R$117 em novembro/2019. Destaca-se que outras atividades realizadas também influenciaram os resultados apresentados.

Conclusões / Considerações finais

No modelo de educação tradicional, o protagonismo das pessoas é pouco valorizado, já que não se busca a implicação dos sujeitos, mas sim o repasse de informações. Nessa linha de raciocínio, não é mais possível conceber uma educação estática, pois a realidade está em constante processo de mudança e de conexão com as tecnologias. O PMM busca modificar essa realidade e tem atingindo o seu propósito por meio do engajamento das pessoas e criatividade nas ações desenvolvidas. Ainda existe muito a ser feito, mas o programa é reconhecido pelos trabalhadores e pela direção do hospital como fonte de transformação das práticas em saúde. Diante do cenário de pandemia da Covid-19 as atividades do PMM estão temporariamente suspensas. Repensar a educação nas instituições de saúde, a partir dos problemas enfrentados no cotidiano de trabalho, considerando os conhecimentos e as experiências de cada trabalhador, pode ser um caminho para ressignificar o modelo tradicional de ensino-aprendizagem.

Referências

ALMEIDA, J. R. S.; BIZERRIL, D. O.; SALDANHA, K. G. H.; ALMEIDA, M. E. L. Educação Permanente em Saúde: Uma estratégia para refletir sobre o processo de trabalho. Rev. ABENO, v. 16, n. 2, abr./jun.2016. MEHRY, E. E. Educação Permanente em Movimento – uma política de reconhecimento e cooperação, ativando os encontros do cotidiano no mundo do trabalho em saúde, questões para os gestores, trabalhadores e quem mais quiser se ver nisso. Revista Saúde em Redes, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p.07-14, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1996, de 20 de agosto de 2007, que dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília – DF, 20 ago. 2007.

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde