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O presente relato diz respeito a uma experiência pedagógica integrada entre três componentes curriculares do Curso Técnico de Nível Médio em Saúde (CTNMS). No 3º trimestre de 2019, os três componentes curriculares - Sociologia, Filosofia e Eixo Política -, atuaram de forma integrada para realizar debates nas turmas de 2º Ano de cada Habilitação Técnica do CTNMS (Análises Clínicas, Biotecnologia e Gerência em Saúde), dentre as quatro principais vertentes político-ideológicas existentes, a saber: Anarquismo; Fascismo; Liberalismo; e, Socialismo. Os debates político-ideológicos foram pensados, enquanto culminância, visando criar uma estratégia pedagógica dinâmica para propiciar a apreensão dos conteúdos tratados. E, mais especificamente, introduzir, estimular, apresentar e problematizar os projetos sociopolíticos e históricos relativos ao anarquismo (socialismo libertário), fascismo (nazismo/integralismo), liberalismo clássico (político e econômico) e, socialismo (perspectiva marxista). Os debates político-ideológicos sobre Anarquismo, Fascismo, Liberalismo e Socialismo ocorreram em quatro rodadas (a quarta, por demanda estudantil), todas de cinco minutos, em sala de aula (apresentação de teses com base nos conceitos-chave, réplica, tréplica e comentários finais). A educação politécnica é uma concepção que dialoga com o contexto societário contemporâneo.
O presente relato diz respeito a uma experiência pedagógica integrada entre três componentes curriculares do Curso Técnico de Nível Médio em Saúde (CTNMS), da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). No 3º trimestre de 2019, os três componentes curriculares - Sociologia, Filosofia e Eixo Política -, atuaram de forma integrada para realizar debates nas turmas de 2º Ano de cada Habilitação Técnica do CTNMS (Análises Clínicas, Biotecnologia e Gerência em Saúde), dentre as quatro principais vertentes político-ideológicas existentes, a saber: Anarquismo; Fascismo; Liberalismo; e, Socialismo. Cabe destacar, que a EPSJV teve sua origem, enquanto “utopia em movimento”, inspirando-se nos institutos politécnicos de Cuba e Nicarágua e no socialismo, enquanto horizonte político. Dando consequência à educação politécnica, a EPSJV vem desenvolvendo desde 1988, sua formação técnica integrada ao Ensino Médio. O ponto de partida pedagógico é a escola unitária, defendida por Gramsci (2007). Em concordância, Ciavatta (2014) aponta que a escola unitária trata dos usos e sentidos da formação integrada na perspectiva marxista.
De forma geral, os debates político-ideológicos foram pensados, enquanto culminância, visando criar uma estratégia pedagógica dinâmica para propiciar a apreensão dos conteúdos tratados. E, mais especificamente, introduzir, estimular, apresentar e problematizar os projetos sociopolíticos e históricos relativos ao anarquismo (socialismo libertário), fascismo (nazismo/integralismo), liberalismo clássico (político e econômico) e, socialismo (perspectiva marxista).
A preparação se deu de duas formas, sendo a primeira, nas aulas de cada componente curricular e, uma segunda, com aulas integradas, expositivas e dialogadas para a definição dos grupos, bem como para orientação docente. Cada turma de 2º Ano (média de trinta educandos) foi dividida em 4 grupos de 7 a 8 educandos, tendo sido definidas três rodadas inicialmente. Os conceitos-chave Estado, Democracia, Ideologia e Poder foram trabalhados nas aulas do Eixo Política, Filosofia e Sociologia com textos, vídeos e verbetes afins, mediante as perspectivas fascista/nazista/integralista, liberal clássica e contemporânea, libertária e, marxista. Os debates político-ideológicos sobre Anarquismo, Fascismo, Liberalismo e Socialismo ocorreram em quatro rodadas (a quarta por demanda estudantil) rodadas de cinco minutos em sala de aula (apresentação de teses com base nos conceitos-chave, réplica, tréplica e comentários finais). Resultados e Discussão Avalia-se que a experiência atingiu seus objetivos e poderá ser replicada com as devidas adaptações. Esta atividade propiciou aos educadores um diálogo curricular mais ampliado e, aos educandos, uma oportunidade de aprofundar conhecimentos, servindo-se da capacidade dialógica e argumentativa própria, bem como aquela apreendida por meio dos materiais utilizados para subsidiá-los. Os debates entre os grupos que representaram cada vertente político-ideológico foram em geral acalorados, tendo inclusive, a necessidade em determinados momentos de mediação docente. Observou, portanto, que o Eixo Política, a Filosofia e a Sociologia subsidiaram as linhas de argumentação para a defesa e acusação das referidas vertentes. É possível afirmar que esta atividade fortalece os princípios educativos da politecnia (trabalho e pesquisa) da EPSJV e, também, do Sistema Único de Saúde (SUS), pois educa a partir do conflito e da contradição (GUIMARÃES et al., 2010). Entende-se que os componentes curriculares mencionados anteriormente dialogam plenamente com esta atividade desenvolvida nas turmas de 2º Ano.
A exibição dialogada de filmes e vídeos serviu de ponto de partida para trabalhar os conteúdos na preparação da atividade, tais como “Ficar rico sem trabalhar” (MARX, COMENTA CANAL, 2017), “Milkshake Ovomaltine” (MARX COMENTA CANAL, 2017), “Encontro do Século Smith e Marx (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2012)”, “O Jovem Karl Marx” (PECK, 2017), Liberalismo (GREG NEWS, 2017) e, “Matéria sobre o Neo nazismo no Brasil” (GLOBONEWS, 2017). Em seguida, foram discutidos textos-base para a atividade pelos educadores envolvidos para finalmente, realizar os debates político-ideológicos. Conforme o Projeto Político-Pedagógico da EPSJV (EPSJV, 2005), a finalidade do processo educativo de educação profissional é formar trabalhadores comprometidos com a saúde pública, humanização dos serviços de saúde e com a construção de uma sociedade mais justa. Com efeito, Guimarães et al. (idem) explica que a educação politécnica é uma concepção que dialoga com o contexto societário contemporâneo.
CIAVATTA, M. Ensino Integrado, a Politecnia e Educação Omnilateral. Por que lutamos? Trabalho e Educação, v. 23, n.1, p. 187-205, jan.-abr., 2014. ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO. Projeto Político-Pedagógico. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2005. GUIMARÃES, C.; BRASIL, I.; MOROSINI, M. V. Uma Escola Politécnica no contexto brasileiro. In: GUIMARÃES, C. (Org.). Trabalho, Educação e Saúde: 25 anos de formação politécnica no SUS. Rio de Janeiro: EPSJV, 2010, p. 89-102. GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere [vol.3]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
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