PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO ENSINO SUPERIOR EM SAÚDE

Vol.1 - 2021 - 136874
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Resumo

Resumo

A participação social é de suma importância para a Promoção de Saúde e para efetivação de um conceito ampliado em saúde que inclua a corresponsabilização, princípios do empoderamento e a autonomia. Pretendeu-se relatar a experiência de um Módulo de Ensino da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Campus Lagarto, com a Participação Social no Ensino Superior em Saúde. Utilizou-se Metodologias Ativas de Aprendizagem com o emprego de duas propostas de Planejamento Participativo: o Método Bambu (MB) e o Planejamento e Programação Local em Saúde (PPLS). Trata-se do relato de duas experiências vivenciadas no Módulo de Ensino Prática de Ensino na Comunidade do Primeiro Ciclo (PEC I) da UFS Lagarto. Consideraram-se experiências desenvolvidas no ano letivo de 2016. Realizaram-se o MB e o PPLS em duas turmas e territórios diferentes, orientadas por duas discentes distintas, no município de Lagarto, Sergipe. As oficinas ocorreram após encontros prévios com a comunidade em espaços cedidos pelos moradores. O PPLS resultou no calçamento de uma rua da comunidade e o MB na criação de um Conselho Local de Saúde. As experiências realizadas demonstraram ser um dispositivo interessante de promoção do empoderamento comunitário e de uma educação problematizadora, autônoma e significativa.

Introdução

A participação social é de suma importância para a Promoção de Saúde (SILVA & BAPTISTA, 2015) e se constitui em direito e necessidade para efetivação de um conceito ampliado em saúde que inclua a corresponsabilização, princípios do empoderamento e a autonomia (PINTO & SILVA, 2019). A autonomia também é necessária na educação (FREIRE, 2006) e, por conseguinte, na formação profissional em saúde, sendo as Metodologias Ativas um alicerce importante na aprendizagem significativa (MITRE, 2008). Como estratégias de promoção da autonomia e da participação social, podemos destacar duas propostas de Planejamento Participativo (PP): o Método Bambu (MB) (SÁ et al., 2007) e o Planejamento e Programação Local em Saúde (PPLS) (BRITO, RODRIGUES, MENDES, 2005). O MB propõe reflexões que valorizam as potencialidades do território e do coletivo e tem sido útil na gestão em saúde (MOYSÉS & SÁ, 2014) e na formação (MATOS & CALDEIRA, 2013). O PPLS preconiza o planejamento para evitar improvisos e perdas, como estratégia de confrontar e resolver problemas de forma participativa. Seu uso perpassa a formação (SILVA et al., 2017) e Educação Permanente em Saúde (UFMA-UNASUS, 2014).

Objetivos

Pretendeu-se relatar a experiência de um Módulo de Ensino da Universidade Federal de Sergipe, Campus Lagarto, com a Participação Social no Ensino Superior em Saúde, através da utilização de Metodologias Ativas de Aprendizagem com o emprego de duas propostas de Planejamento Participativo: o Método Bambu (MB) e o Planejamento e Programação Local em Saúde (PPLS).

Metodologia

Trata-se do relato de duas experiência vivenciadas no Módulo de Ensino Prática de Ensino na Comunidade do Primeiro Ciclo (PEC I) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Campus Lagarto. Consideraram-se experiências desenvolvidas no ano letivo de 2016. Na UFS Lagarto, calouros dos oito diferentes cursos ofertados (enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, medicina, odontologia e terapia ocupacional) partilham uma turma mista, configurando um ciclo comum anual. Todas as turmas de PEC 1 devem vivenciar um Planejamento Participativo (PP) com uma comunidade, em um território pertencente a uma microárea de saúde. Utilizam-se o MB ou o PPLS. Conforme as particularidades dos atores envolvidos (discente, docentes e comunidade), opta-se por uma ou outra estratégia. Independente do PP adotado, as oficinas realizadas seguem os momentos pré-estabelecidos por cada método, em conjunto com os discentes da UFS e a comunidade de diferentes territórios do município. Resultados e Discussão Realizaram-se o MB e o PPLS em duas turmas e territórios diferentes, orientadas por duas discentes distintas, no município de Lagarto, Sergipe. As oficinas ocorreram após encontros prévios com a comunidade em espaços cedidos pelos moradores. O PPLS teve 2 oficinas e discutiu problemas locais. Após votação, priorizou-se a falta de calçamento da Pista. Os moradores fizeram um abaixo assinado e convidaram representantes políticos para uma reunião. Após uma rica discussão, autoridades presentes se comprometeram em calçar a pista que iniciou a obra meses depois. O MB contou com 4 oficinas. Os diálogos iniciais pairavam sobre os desafios e problemas da comunidade. Após reflexões voltadas para potencialidades, os moradores decidiram, criar um Conselho Local de Saúde, com eleição de cinco representantes da comunidade. As experiências realizadas demonstraram ser um dispositivo interessante de promoção do empoderamento comunitário (SANTOS et al., 2018) e de uma educação freireana: ativa, problematizadora, autônoma, significativa. Pode-se observar a presença do diálogo e a participação na ação transformadora das condições de vida e de trabalho das comunidades vivenciadas (PINTO, 2019).

Conclusões / Considerações finais

As vivências compartilhadas durante as oficinas do MB e do PPLS contribuíram para o processo de reflexão sobre a história social das comunidades, favorecendo o processo de participação social e fortalecimento do vínculo e exercício da cidadania entre os atores, bem como entre a comunidade e a Universidade Pública. Destaca-se também os ganhos no processo de ensino-aprendizagem, por uma pedagogia de participação popular e educação cidadã, através de reflexões relacionadas à vida cotidiana, à saúde, à cidadania e aos direitos e deveres, aproximando os discentes e a comunidade da Saúde Pública.

Referências

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33ª ed. São Paulo: Paz e Terra; 2006. MITRE, Sandra Minardi et al . Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 13, supl. 2, p. 2133-2144, Dec. 2008. PINTO, Maria Benegelania; SILVA, Kênia Lara. Promoção da saúde no território: potências e desafios dos projetos locais. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro , v. 23, n. 1, e20180282, 2019. SANTOS, Elitiele Ortiz dos et al . Avaliação de empoderamento: considerações teórico-metodológicas aplicadas ao campo da saúde. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 52, e03400, 2018. SILVA, Patrícia Ferrás Araújo da; BAPTISTA, Tatiana Wargas de Faria. A Política Nacional de Promoção da Saúde: texto e contexto de uma política. Saúde debate, Rio de Janeiro , v. 39, n. spe, p. 91-104, Dec. 2015.

Eixo Temático
  • 3. Democracia e Participação Social