O USO DADOS E INFORMAÇÃO EM SAÚDE NO PROCESSO DECISÓRIO DA GESTÃO MUNICIPAL

Vol.1 - 2021 - 137085
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Resumo

Resumo

Objetivo: Analisar o uso de dados e informações na Atenção Primária em Saúde (APS) pelos gestores municipais em Minas Gerais. Método: Estudo transversal desenvolvido com quatrocentos e dezenove gestores em saúde por meio da aplicação de um questionário online entre os anos de 2017 e 2018, construído com base na literatura cientifica. Os dados foram trabalhados por meio de análise bivariada e multivariada. Resultados: O uso de dados e informações no Estado tem objetivo de organizar a gestão em saúde local. Os municípios têm produzido, disponibilizado e analisado este recurso satisfatoriamente. Problemas como estrutura e equipamentos, falta de treinamento, escassez de recursos financeiros foram mencionados como entraves. Os gestores que planejam e tomam suas decisões com base em dados e informações úteis atualizadas usam em parte o DATASUS e foram submetidos a capacitação prévia. Conclusão: Os gestores municipais utilizam dados e informações em saúde via Sistemas de Informação em Saúde no processo decisório. Antigos problemas ainda permanecem se apresentando como fatores dificultadores. A capacitação prévia contribui para as práticas informacionais.

Introdução

Um dos grandes desafios ainda existente na consolidação do SUS é a capacidade de gestão do sistema e dos serviços de saúde. Muito ainda há de se desenvolver sobre a descrição consistente do que se caracteriza o fazer do gestor na organização dos serviços de saúde. O gestor em saúde utiliza-se de seus conhecimentos, técnicas e habilidades para conduzir os serviços de saúde aos objetivos estabelecidos. Umas das ferramentas imprescindíveis para o processo decisório são os Sistemas de Informações em Saúde, que consistem em estratégias de inovação para instrumentalizar o processo de coleta, processamento, análise e disseminação da informação, potencializando a gestão da informação nos serviços de saúde. Grande parte dos gestores e profissionais de saúde não utilizam as informações em saúde, produzidas pelos SIS, no processo decisório, justificando, seu uso apenas para o faturamento dos municípios, repasse de recursos e para objetivos específicos da gestão. O processo de busca de informações nos SIS ainda se apresenta como algo fragmentado e trabalhoso para muitos gestores, com dificuldade em iniciativas de capacitação das equipes responsáveis lotadas nos diferentes espaços de gestão.

Objetivos

Analisar o uso de dados e informações na Atenção Primária em Saúde (APS) pelos gestores municipais em Minas Gerais

Metodologia

Trata-se de estudo transversal realizado com secretários municipais de saúde do estado de Minas Gerais ou seus representantes legais Consideramos elegíveis para o estudo todos os secretários municipais de saúde do estado. A coleta de dados se deu entre setembro de 2017 e outubro de 2018. Os gestores receberam um link com o instrumento de coleta de dados pelo e-mail da Secretaria Municipal de Saúde. Obtivemos resposta de 419 (49,1%) dos participantes. Os dados foram coletados utilizando-se o formulário google forms e analisados com auxílio do software SPSS 21.0. Realizou-se análise descritiva com cálculo de medidas de tendência central e dispersão. A análise bivariada foi realizada para verificar associações entre a variável desfecho (produção de informações para a tomada de decisão) e as variáveis de exposição, por meio de regressão logística simples e intervalos de confiança de 95%. Por último realizamos análise multivariada do tipo regressão logística. Resultados e Discussão A maioria dos respondentes foram os secretários municipais de saúde (70,6%), seguidos de coordenadores da APS (22,0%). A maioria dos respondentes é do sexo feminino (62,1%), possui curso superior (82,1%) e está no cargo a menos de um ano (48,9%). Menos da metade recebeu capacitação para assumir a função (37,7). A maioria dos participantes (54,4%) declarou possuir estrutura e equipamentos necessários para exercerem suas atividades gerenciais. Os recursos humanos também foram considerados suficientes por 48,9% dos participantes. O DATASUS é utilizado como base de dados e informações em saúde pelos respondentes. Os sistemas da estratégia e-SUS também foram mencionados, tanto o CDS (51,8%) quanto o PEC (38,4%), como base para o processo decisório. vinte e oito estavam no início da implantação, cerca de 72,0% em implantação e 20,8% com o sistema implantado. O modelo multivariado nos mostrou que há uma chance maior de gestores em saúde produzirem dados e informações úteis pelo SIS em seu processo decisório em municípios que passaram por treinamento/capacitação de forma parcial e utilizam em parte o DATASUS como fonte de dados confiáveis. O nível de explicação é de 36,8%.

Conclusões / Considerações finais

O estudo mostrou que o uso de dados e informações no processo decisório na APS apresentou-se como uma prática instituída no processo gerenciamento nos municípios investigados. Gestores relataram produzir, analisar, utilizar via SIS e DATASUS, além de gerar informações em saúde na assistência municipal. O acesso a treinamentos e capacitações mencionados foram condição importante para o exercício da utilização destas informações, mesmo ser considerar as diferenças e a qualidade ofertada. Velhos entraves ainda permanecem. Talvez os problemas de infraestrutura, financiamento entre outros, associados a complexidade da gestão em saúde e a multifatorialidade de causas em saúde não favoreçam mudanças substanciais em alguns quadros sanitários municipais. Buscar estratégias político-econômicas que garantam recursos e estruturas mínimas para desenvolver e garantir a prática da informação em saúde na gestão e investir na educação permanente potencializariam a melhora da resolutividade na saúde.

Referências

Pires DE, Vandresen L, Forte ECN, Machado RR, Melo TAP. Gestão na atenção primária: implicações nas cargas de trabalho de gestores. Rev Gaúcha Enferm. 2019;40:e20180216.. Becker LA, Rech CR, Reis RS. Acesso à informação para tomada de decisão com base em evidências segundo a percepção de Secretários Municipais de Saúde do Estado do Paraná, no ano de 2014. Cad. Saúde Pública 2018; 34(7):e00003918. p.1-7. dos Santos AF, Fonseca SD, Araújo LL, Procópio CSD, Lopes EAS, Lima AMLD, Reis CMR, Abreu DMX, Jorge AO, Matta-Machado AT. Incorporação de Tecnologias de Informação e Comunicação e qualidade na atenção básica em saúde no Brasil. Cad. Saúde Pública. [Internet]. 2017;33(5):e00172815 [acesso em 20 fev 2018].

Eixo Temático
  • 5. Planejamento, Gestão e Avaliação em Saúde