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A maioridade das DCN de Odontologia, antes da declaração da pandemia de Covid 19 pela OMS, e da suspensão das atividades presenciais, trouxe a memória da Resolução 3 do MEC, de 19.02.2002, em que o Estado definiu um perfil de egresso com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. O Curso de Odontologia da UFPI celebra a sua própria efeméride, são 60 anos de uma existência que muito significa para o Estado do Piauí. A matriz curricular de 2006 e a composição docente foi sendo responsável pela aproximação do curso com a PMT, em uma ação simultânea à própria constituição de um sistema municipal de saúde bucal: inserção das equipes de saúde bucal na ESF, nos CEO, a criação da Gerência de Saúde Bucal. Este trabalho pretende contar vinte anos desta relação, os movimentos de tensão, afastamento e maior aproximação, a participação do curso de odontologia nos projetos interministeriais PRO e PET-SAÚDE, os impactos na formação dos estudantes, as metodologias e os processos avaliativos, a assinatura do COAPES, a infância, adolescência e pretensa maturidade da IESC, o desafio da interprofissionalidade. Trata-se de uma narrativa ensaístico-crítica sobre a graduação em odontologia, a PNSB e seus reflexos, seja no vislumbre da ESF e dos CEO, não apenas como espaços de trabalho no cenário profissional, mas oportunidades de exercício da responsabilidade social e sanitária.
A maioridade das DCN do Curso de Graduação em Odontologia, em que o Estado definiu um perfil de egresso com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, para atuar em todos os níveis de atenção à saúde. O Curso de Odontologia da UFPI celebra em 2020 60 anos. Um curso tradicionalmente clínico e com um olhar voltado para o mercado liberal e individual dos consultórios privados, as atividades coletivas, educativas e preventivas antes de 2003 quando houve, foram realizadas predominantemente em ambiente escolar. A presença do SUS foi mais visível a partir de 2003, com a formação de uma nova equipe docente de 4 professores. A matriz curricular de 2006 foi sendo responsável pela implementação e aproximação do curso com as ações e serviços de saúde bucal da Prefeitura Municipal de Teresina - Fundação Municipal de Saúde, gestora local do SUS, em uma ação simultânea à própria constituição de um sistema municipal de saúde bucal: inserção das equipes de saúde bucal na Estratégia Saúde da Família, nos Centros de Especialidades Odontológicas, a criação da Gerência de Saúde Bucal.
Contar vinte anos da relação institucional estabelecida, os movimentos de tensão, afastamento e maior aproximação vivenciados, a participação do curso de odontologia junto com os outros cursos do Centro de Ciências da Saúde da UFPI e o SUS municipal.
Trata-se de uma narrativa ensaístico-crítica sobre 32 turmas de graduação em odontologia com maior ou menor envolvimento com o Sistema Único de Saúde, a Política Nacional de Saúde Bucal e seus reflexos, seja no vislumbre da Estratégia Saúde da Família e dos Centros de Especialidades Odontológicas, não apenas como espaços privilegiados de trabalho no cenário profissional, mas oportunidades de exercício da responsabilidade social e sanitária com a transformação de realidades populacionais. Um trajeto cartográfico, arqueológico e genealógico do fazer em saúde bucal coletiva, a partir de diferentes pontos de vista, tendo como pano de fundo a formação em odontologia, impregnada pela saúde bucal coletiva e tudo que ela implica, a presença de conhecimentos epidemiológicos, de planejamento, política e gestão, e das ciências sociais e humanas em saúde. Resultados e Discussão Partindo de quase nenhuma aproximação do curso de odontologia com o SUS no começo dos anos 2000, foi feita uma longa travessia em que o porto de ancoragem se ainda não é a IESC sonhada e necessária, e suas repercussões sobre a formação odontológica, significa uma revolução, uma micro-revolução realizada na relação construída com o SUS municipal. Da ausência de estágios em unidades de saúde e de uma tímida presença em escolas, na melhor tradição sespiana, a um mergulho orgânico nas entranhas da APS, da ESF, do conceito ampliado de saúde, das perspectivas de VS, da intencionalidade em influir e participar do sistema local de saúde e tê-lo como espaço formativo. Os resultados são percebidos nos relatos em múltiplos formatos dos estudantes que vivenciam semestres nos postinhos ditos assim pelos professores das clínicas intramuros, são as experiências, as narrativas, os aprendizados, as perdas de inocência, as conquistas de algum grau de autonomia. As visitas a gestão, o contato com a GESB e seus processos de trabalho, a visão sistêmica panorâmica de uma rede assistencial, os problemas e as questões de gerência e gestão enfrentadas por colegas CD.
Não há formação superior em saúde no Brasil, sustentável, responsável social e sanitariamente sem a presença do Sistema Único de Saúde, não qualquer presença, não uma presença apenas como cenário, ou como neocolonialismo universitário. O SUS aqui é destino e ao mesmo tempo motivo fundante, é ponto de chegada e travessia, é caminho, é a própria trilha. Como foram os anos que passaram, como serão os anos que virão, não são passíveis de conclusão, não há vencidos, nem vencedores, há parceiros, parcerias, caminhadas em busca deste processo civilizatório, tornado ainda mais desafiador em tempos de pandemia e isolamento social compulsório.
BOTAZZO, C. Diálogos sobre a Boca. São Paulo: Hucitec, 2013. 380p. CAMPOS, G. W. S. et al. Tratado de Saúde Coletiva. 2. ed. ver. aum. São Paulo: Hucitec, 2012. 968p. . MOYSÉS, S. T., KRIGER, L ., MOYSES, S. J. Saúde Bucal das Famílias – Trabalhando com Evidências. São Paulo: Editora Artes Médicas, 2008. 308 NARVAI,P. C. FRAZÃO, P. Saúde Bucal no Brasil - Muito Além do Céu da Boca. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.
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